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terça-feira, 14 de junho de 2016

A Culpa é do Ódio


Atentado a boate gay em Orlando: terrorismo, religião, preconceito e enriquecimento politicamente favorecido da indústria das armas

O maior atentado terrorista a tiros nos EUA (com pelo menos 50 mortos) tem de tudo: terrorismo (o Estado Islâmico reivindicou o atentado), crenças religiosas fanáticas, preconceito sexual contra os gays e, além de tudo, tratava-se de uma festa de temática latina (festa acima da linha do Equador com temática abaixo dela).

O arcanjo Lúcifer (com certeza) não seria capaz de planejar algo semelhante (e que incluísse, de sobra, o enriquecimento politicamente favorecido das indústrias das armas, uma das que mais “investem” nos políticos, formando “bancadas próprias” – tanto no Brasil como nos EUA).

A maioria da população é adepta da teoria antropológica geral do “sobrevivente” (ver Alba Rico, Penúltimos días, p. 52-57). A teoria – sempre de acordo com esse autor – foi desenvolvida por Elias Canetti. Em regra, diante da dor alheia, nos sentimos (a) indiferentes, ou (b) culpados ou (c) tocados por ela (tudo depende se a dor é de um próximo ou de alguém distante – Aristóteles).

Gramsci ficou estarrecido como as pessoas em geral que não sentiam a dor dos familiares dos armênios massacrados na Turquia. Sua conclusão: a compaixão não é a regra (não ocupamos o lugar do outro, na dor). As exceções é que adotam a “moral de simpatia”, que é a identificação com a dor alheia (Todorov). Simone Weil, por exemplo, morreu de inanição solidarizando-se com a vítimas do nazismo e da 2ª Guerra.

Em regra, somos tomados por uma “cegueira emocional” (não assumimos a dor alheia). O “normal” (diante da tragédia alheia) é nos sentirmos “sobreviventes”. A desgraça aconteceu “com ele ou ela”, não comigo. Logo, “sou um eleito”, um escolhido, um superior; sou de muita sorte, com destino de prosperidade traçado pelas estrelas.

É que “Tenho meus méritos” (por não fazer parte da desgraça), assim como imunidade futura. Rodeia-se e adora ver cadáveres (na TV e outras mídias) para se sentir mais invulnerável (superior). A sobrevivência é um “prazer” (daí o interesse de muitos em ver as desgraças espetacularizadas). O sobrevivente precisa das mortes dramatizadas (para se sentir cada vez mais sobrevivente) como a indústria das armas necessita dos tiros (para se sentir cada vez mais inserido no mercado).

A cada tragédia, o sobrevivente confirma sua hipótese: “Não foi comigo”. O mundo está se destroçando (morrendo aos pedaços) e eu continuo sendo um “sobrevivente”. A bem da verdade, “nada disso acontece por acaso”. Não é uma causalidade minha sobrevivência. Sou especial e distinguido.

Mais de 59 mil pessoas são assassinadas no Brasil por ano (70% com arma de fogo). Mais de 13 mil nos EUA (morrem da mesma maneira). Quase 50 mil mortos no trânsito. O normal seria dizer: “A vítima poderia ser eu”. O sobrevivente diz: “Eu não sou como ele ou ela” (eu sou protegido).

Isto demonstra que o problema da violência não é devido ao porte legal de armas mas ao ódio destilado por líderes partidários e religiosos contra minorias e categorias consideradas “diferentes”.  É difícil imaginar um mundo melhor no futuro pois a humanidade vai ficando cada vez mais cega, iludida e confusa, não se sabe mais discernir a mentira da verdade, está cada vez mais desesperada e não sabe por onde começar para promover mudanças significativas no seu estilo de vida, em suas crenças e convicções.

Somos reféns de um poder midiático enorme, desnonesto e desleal; cúmplice das políticas de desinformação adotadas pelas oligarquias, as quasi por sua vez visam apenas o lucro.
Que Deus nos ajude.

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