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sábado, 25 de junho de 2016

A culpa é da Opressão, não da Imigração

A decisão dos eleitores do Reino Unido de deixar a UE é um repúdio tão gritante à sabedoria e à relevância das instituições políticas e à mídia de elite que - pela primeira vez - seus fracassos se tornaram uma parte importante da história. A reação da mídia ao voto apelidada de Brexit (British exit – saída da Bretanha) cai em duas categorias gerais:
Uma séria, fazendo tentativas espontâneas para entender o que motivou os eleitores a fazer esta escolha, mesmo que isso signifique acusar os próprios círculos do stablishment, e outra petulante, de auto-serviço, formada por ataques simplórios aos eleitores desobedientes, chamando-os de primitivos, fanáticos, xenófobos (e estúpidos), para fugir de qualquer acerto de contas com sua própria responsabilidade.
Praticamente todas as reações que se enquadram na primeira categoria enfatizam as falhas profundas das facções do stablishment ocidental; estas instituições geraram miséria difusa e desigualdade, só para vomitar desprezo condescendente em suas vítimas quando elas se opõem.

Vincent Bevins do Los Angeles Times , em uma análise excelente e concisa, escreveu que "tanto o Brexit quanto o Trumpismo são respostas muito, muito erradas a perguntas legítimas que as elites urbanas têm se recusado a fazer nos últimos trinta anos" em particular, "desde os anos 1980 as elites dos países ricos têm exagerado a mão, mantendo todos os ganhos para si e simplesmente cobrindo os ouvidos quando os trabalhadores falam. Agora elas estão assistindo com horror à revolta dos eleitores.” O jornalista britânico Tom Ewing, em uma explicação abrangente, disse que a mesma dinâmica de condução da votação no Reino Unido prevalece na Europa e na América do Norte, bem como: "a arrogância das elites neoliberais na construção de uma política destinada a deixar de lado a democracia e trabalhar em torno da mesma, deixando apenas uma democracia formal intacta."

Em entrevista ao The New Statesman, o filósofo político Michael Sandel também disse que a dinâmica que conduziu o sentimento pró-Brexit são agora dominantes em todo o Ocidente em geral: "um grande círculo eleitoral de eleitores da classe trabalhadora sente que não só a economia os deixou para trás, mas também a cultura. Suas fontes de dignidade pessoal, a dignidade do trabalho, foram erodidas e ridicularizadas pela globalização, pelo aumento das finanças, a atenção esbanjada pelos partidos de todo o espectro político às elites das áreas econômica e financeira. O excesso de  ênfase tecnocrática dos partidos políticos estabelecidos". Depois que o radicalismo de Reagan e Thatcher veneraram o mercado, ele disse: " o centro-esquerda de Blair e Clinton, assim como vários partidos europeus" conseguiu recuperar cargos políticos, mas não conseguiu reimaginar a missão e o propósito da social-democracia, que se tornou vazia e obsoleta".

Escritores do Three Guardian tocaram em temas semelhantes falando sobre a ignorância da mídia de elite, decorrente da sua homogeneidade e descolamento da cidadania. John Harris citou um eleitor de Manchester que explicava que "se você tem dinheiro, você vota para ficar na UE, se você não tem dinheiro, você vota para sair." E Harris acrescentou: "a maior parte da mídia. . . não conseguiu ver este aspecto. . . . A alienação das pessoas que deveriam documentar o humor nacional daqueles que fazem a diferença na hora do voto foi uma das rupturas que levaram a este momento.” Gary Younge denunciou “Uma seção do Commentariat com sede em Londres classificou a classe trabalhadora britânica como se fosse de uma raça menor, que evoluíiu de raças distantes, muitas vezes retratando-os como fanáticos que não sabiam o que era bom para eles. "O artigo de Ian Jack na manchete "Nesta votação do Brexit, os pobres acenderam uma elite que os havia ignorado", e descreveu como "gradualmente a visão de cidades vazias e lojas fechadas tinha se tornado normal ou esquecida. “Manchetes como esta do The Guardian em 2014 tinham sido publicadas mas foram amplamente ignoradas.

Embora tenham havido algumas exceções, as elites políticas e mediáticas no Reino Unido se uniram veementemente contra o Brexit, mas sua pseudo sabedoria decretada foi ignorada, e até mesmo desprezada. Isso aconteceu muitas vezes. Como suas falhas fundamentais tornaram-se mais evidentes para todos, essas elites perderam credibilidade, influência e sua capacidade de ditar resultados.

Apenas no ano passado, no Reino Unido, os membros do Partido dos Trabalhadores escolheram Jeremy Corbyn para liderar o partido de Tony Blair – alguém autenticamente de esquerda - que não poderia ter sido mais intensamente desprezado e ao mesmo tempo patrocinado por quase todos os líderes dos meios de comunicação e da classe política. Nos EUA, a alegre rejeição pelos eleitores de Trump à sabedoria coletiva do stablishment conservador evidenciou o mesmo desprezo pelo consenso da elite. O contra ataque entusiasta sustentado especialmente por jovens eleitores, contra a queridinha do stablishment Hillary Clinton em favor de um socialista de 74 anos de idade, que não é levado a sério por quase ninguém das elites de Washington, refletiu a mesma dinâmica. As denúncias contra as elites européias batem em ouvidos surdos. As elites não podem parar, nem mesmo afetar estes movimentos, porque eles são, no fundo, uma revolta contra a sua sabedoria, autoridade e virtude.

Em suma, a credibilidade do stablishment ocidental está morrendo, e sua influência está se corroendo rapidamente. Tudo merecidamente. O ritmo frenético da mídia on-line faz com que mesmo os eventos mais recentes pareçam distantes. Isso por sua vez faz com que seja fácil perder de vista as falhas catastróficas e devastadoras que as elites ocidentais têm produzido em um período extremamente curto de tempo.

Em 2003, as elites americanas e britânicas se uniram para defender uma das guerras agressivas mais hediondas e imorais das últimas décadas: a destruição do Iraque que acabou por ser baseada centralmente em falsidades que foram ratificadas posteriormente pelas instituições mais confiáveis, bem como uma falência política completa, mesmo em seus próprios termos, o que destruiu a confiança pública.

Em 2008, sua distorcida visão do mundo econômico e a corrupção desenfreada precipitaram uma crise econômica global que literalmente causou - e ainda está causando - sofrimentos a bilhões de pessoas. Em resposta, elas (as elites) ainda protegem os plutocratas que causaram a crise deixando as vítimas lidarem sozinhas com o desastre resultante. Mesmo agora as elites ocidentais continuam fazendo proselitismo nos mercados e impondo o livre comércio e a globalização, sem a menor preocupação com a grande desigualdade e destruição da segurança econômica que estas políticas geram.

Em 2011, a NATO bombardeou a Líbia, fingindo ser motivada por razões humanitárias, apenas para ignorar esse país uma vez que o triunfo militar foi conquistado, deixando assim um vazio de anarquia e regras militares por anos espalhando instabilidade pela região e alimentando a crise dos refugiados.
Os EUA e seus aliados europeus continuam a invadir, ocupar e bombardear países predominantemente muçulmanos, enquanto sustentam seus tiranos mais brutais, depois fingem aturdimento quando alguém os ataca de volta, limitam e abolem nossas liberdades básicas e aumentam as campanhas de bombardeio para aumentar cada vez mais o medo. A ascensão do ISIS e a posição que assumiram no Iraque e Líbia foram o direto subproduto das ações militares do Ocidente (como até mesmo Tony Blair admitiu sobre o Iraque). Sociedades ocidentais continuam a desviar recursos maciços em armamento militar e prisões para os seus cidadãos, enriquecendo as facções mais poderosas no processo, enquanto ao mesmo tempo impõem duras austeridades sobre as massas que já sofrem. Em suma, as elites ocidentais prosperam enquanto toda a gente perde as esperanças.

Estes não são fatos aleatórios ou erros isolados. Eles são o subproduto de patologias culturais fundamentais dentro dos círculos das elite ocidentais - uma podridão profunda. Por que as instituições que têm repetidamente usado o engano, e espalhado tal miséria, continuam a impor respeito e credibilidade? Elas não deveriam, e eles não têm. Como Chris Hayes advertiu em seu livro O Crepúsculo das Elites de 2012, "dado o alcance e a profundidade dessa desconfiança [nas instituições de elite], é claro que estamos no meio de algo muito maior e mais perigoso do que apenas uma crise de governo ou do capitalismo. Estamos no meio de uma crise ampla e devastadora de autoridade".

É natural - e inevitável - que figuras malignas tentem explorar esse vácuo de autoridade. Todos os tipos de demagogos e extremistas tentarão redirecionar a raiva da massa para seus próprios fins. Revoltas contra instituições corruptas das elites podem resultar em reforma e progresso, mas também podem criar espaço para os mais terríveis impulsos tribais: a xenofobia, o autoritarismo, o racismo, o fascismo. Estamos vendo tudo isso manifestando-se nos movimentos anti-stablishment nos EUA, na Europa no Reino Unido e no Brasil. Tudo isso pode ser revigorante, prometedor, desestabilizador, ou perigoso: provavelmente uma combinação de tudo isso.

A solução não é agarrar-se subservientemente a instituições da elite corrupta por medo das alternativas. É preciso em vez disso, ajudar a enterrar as instituições e os seus especialistas e depois lutar por substituições superiores. Como Hayes colocou em seu livro, o desafio é "dirigir a frustração, a raiva e a alienação que todos nós sentimos para construir uma coalizão trans-ideológica que pode realmente desalojar o poder da elite pós-meritocrática. Uma que empacota sentimento insurreicionista sem sucumbir ao niilismo, ou à maníaca, paranóica desconfiança".

As elites corruptas sempre tentaram convencer as pessoas a continuarem a se submeter ao seu domínio em troca de proteção contra forças ainda piores. Esse é o seu jogo. Mas em algum momento, eles mesmos, e sua ordem vigente, tornou-se tão destrutiva, tão enganosa, tão tóxica, que suas vítimas estão dispostas a apostar que as alternativas não serão piores, ou pelo menos, decidiram abraçar a satisfação de cuspir nos rostos daqueles que têm exibido nada além de desprezo e condescendência para com eles.

Não há uma explicação unificadora para o Brexit ou Trumpismo, ou o crescente extremismo de várias linhas no Ocidente inteiro, mas essa sensação de impotência misturada com raiva, essa incapacidade de ver qualquer opção alternativa ao esmagamento dos responsáveis ​​por sua situação - é, sem dúvida, um importante fator. Como Bevins escreveu, os apoiadores de Trump, e do Brexit, além de outros movimentos anti-stablishment "não são motivados tanto pela crença de que seus projetos vão realmente funcionar, mas mais pelo desejo de dizer foda-se" àqueles que falharam.
Obviamente, aqueles que são o alvo desta raiva anti-stablishment – os políticos, as elites econômicas e a mídia - estão desesperados para exonerar-se, para demonstrar que não têm responsabilidade pelos sofrimentos das massas que agora estão se recusando a serem complacentes e silenciosas. A maneira mais fácil para alcançar esse objetivo é simplesmente demonizar aqueles com pouco poder, riqueza ou possibilidade como pessoas estúpidas e racistas: isso só estaria acontecendo simplesmente porque eles seria primitivos, ignorantes e odiosos, não porque têm alguma queixa legítima ou porque as instituições de elite tenham feito algo de errado. Como o Michael Tracey disse:

Essa reação é tão auto-protetiva e auto-glorificadora que a mídia das elites dos EUA - incluindo quem não sabia quase nada sobre o Brexit até 48 horas antes - adotou instantaneamente esta como sua narrativa preferida para explicar o que aconteceu, exatamente como fizeram com Trump, Corbyn, Sanders e em todos os outros casos em que seu direito de governar foi ignorado. Eles estão tão convencidos da sua superioridade natural que quaisquer facções que se recusem a vê-los como tais e exijam que apresentem provas, são considerados por definição regressivos, atrofiados e amorais.

De fato, a reação da mídia ao plebiscito Brexit – plena de irrefletida raiva, condescendência e desprezo para com aqueles que votaram errado - ilustra perfeitamente a dinâmica que causou tudo isso em primeiro lugar. A mídia das elites, em virtude de sua posição, adoram o status quo. São ecompensados com prestígio e posição, são recebidos nos círculos mais exclusivos, as elites lhes permitem estar perto (se não estiverem eles próprios empunhando) do grande poder durante suas viagens pelo país e o mundo, proporciona-lhes uma plataforma, os enche com estima e propósitos. O mesmo é verdade para as elites acadêmicas, financeiras e políticas. Elites amam o status quo que lhes foi concedido e por isso protegem suas posições.

Dependendo de quanto estão satisfeitos com sua sorte, elas consideram com afeto e respeito as instituições internacionais que protejam a ordem dominante do Ocidente tais como o Banco Mundial, o FMI, a NATO, as forças militares americanas, a Federal Reserve, Wall Streep e a UE. Enquanto eles expressam algumas críticas parciais sobre cada uma, eles literalmente não conseguem compreender como é que alguém seria fundamentalmente desiludido e irritado com essas instituições, e muito menos que queiram romper com elas. Elas estão muito longe do sofrimento que alimenta esses sentimentos anti-stablishment. Então, pesquisam e procuram em vão por alguma lógica que poderia explicar algo como o Brexit, ou os movimentos que condenam o stablishment seja de direita que de esquerda, e pode encontrar apenas uma maneira de processá-lo: essas pessoas não são motivadas por quaisquer queixas legítimas ou porque estejam sofrendo por razões econômicas, pensam que sejam ingratas, imorais, movidas pelo ódio, que sejam racistas e ignorantes.

Outro fator importante é que o mecanismo usado pelos cidadãos ocidentais para expressar e corrigir sua insatisfação – as eleições - em grande parte deixou de servir a qualquer função de correção. Como Hayes, em um tweet amplamente citado, escreveu esta semana sobre o Brexit:

Isto é exatamente a escolha apresentada não só pelo Brexit mas também nas eleições ocidentais em geral, incluindo as de 2016 em que vemos a Clinton contra o Trump. (Basta olhar para a poderosa gama de magnatas de Wall Street e neocons amantes da guerra que viram na ex senadora de New York e secretária de Estado sua melhor esperança para que mantenham sua agenda e seus interesses servidos). Quando a democracia é preservada apenas na forma, estruturada para mudar pouco ou nada sobre a distribuição do poder, as pessoas procuram naturalmente alternativas para a reparação de suas queixas, especialmente quando elas sofrem demais.

Mais importante ainda - e diametralmente oposto ao que os liberais do stablishment gostam de reclamar, a fim de demonizar todos os que rejeitam a sua autoridade - o sofrimento econômico e xenofobia / racismo não são mutuamente exclusivas; o oposto é verdadeiro: os primeiros alimentam o segundo. A miséria econômica sustentada faz com que as pessoas aceitem melhor cabras expiatórias. É precisamente por isso que políticas plutocráticas que privam enormes parcelas da população de oportunidades básicas e esperanças são tão perigosas. Alegando que os apoiadores do Brexit, Trump, Corbyn, Sanders ou do anti-stablishment são motivados apenas pelo ódio, não por um genuíno sofrimento econômico e pela opressão política de que são vítimas, é uma tática transparente para exonerar as instituições do status quo e evadir sua responsabilidade de fazer qualquer coisa sobre seu núcleo de corrupção.

Parte dessa reação da mídia rancorosa para com o Brexit é baseada em uma combinação sombria da preguiça e do hábito: uma parcela considerável do stablishment liberal no ocidente perdeu completamente sua capacidade de se envolver com qualquer tipo de dissidência às suas ortodoxias, ou mesmo de compreender aqueles que discordam dela. Eles não são capazes de nada mais além de adotar a postura mais presunçosa e auto-complacente, de vomitar clichês para etiquetar seus críticos como ignorantes e fanáticos. Como as pessoas do ocidente que bombardeiam países muçulmanos e então expressam confusão quando suas vítimas querem atacá-los de volta, os mais simplórios destes meios de comunicação ficam constantemente enfurecidos porque as pessoas que eles interminavelmente difamam como ignorantes se recusem a investí-los com o respeito e a credibilidade a que crêem terem naturalmente direito.

Mas há algo mais profundo e mais interessante dirigindo a reação da mídia ocidental. Os jornalistas não são independentes. Eles estão totalmente integrados nas instituições das elites, são ferramentas dessas instituições e se identificam completamente com elas. É claro que eles não compartilham, e não conseguem entender os sentimentos anti-stablishment: eles são os alvos dessa revolta que odeia o stablishment, tanto quanto qualquer outra pessoa. Esta reação dos jornalistas a este movimento anti-stablishment é uma forma de auto-defesa. Como o Professor Jay Rosen disse ontem à noite, "os jornalistas relatam a hostilidade à classe política, como se não tivessem nada a ver com isso", mas eles são uma parte fundamental dessa classe política e, por essa razão", se a população, ou parte dela, está em revolta contra a classe política, este é um problema para o jornalismo ".
Há muitos fatores que explicam porque os jornalistas agora não têm quase nenhuma capacidade de conter a onda de raiva anti-stablishment, mesmo quando é irracional e motivada por impulsos ignóbeis.
Parte do problema é que a internet e as mídias sociais tornaram as mídias tradicionais irrelevantes, desnecessárias para disseminar idéias. Parte do problema é que - devido a sua distância da população - eles não têm nada a dizer para as pessoas que sofrem e que estão furiosas além de desprezá-las  como perdedoras e odiosas. Parte do problema é que os jornalistas - como qualquer outra pessoa - tendem a reagir com amargura e raiva, não com uma atitude de auto-avaliação, quando perdem influência e estatura.

Mas um fator importante é que muitas pessoas reconhecem nos jornalistas uma parte integrante das instituições e dos círculos de elites corrompidos, autores de sua situação. Ao invés de serem pessoas que negociam ou informam sobre esses conflitos políticos, os jornalistas são agentes das forças que os oprimem. E quando os jornalistas reagem à sua raiva e sofrimento, dizendo-lhes que suas razões não são válidas e que são apenas o subproduto de sua estupidez e ressentimentos primitivos, isso só reforça a percepção de que os jornalistas são seus inimigos, tornando assim a opinião jornalística cada vez mais irrelevante.

O Brexit - apesar de todo o mal que é susceptível de causar e apesar de todos os políticos mal-intencionados que irão se eleger – pode ser um acontecimento positivo. Mas isso exigiria que as elites (e seus meios de comunicação) reagissem ao choque deste repúdio e passassem algum tempo refletindo sobre suas próprias falhas, que analisassem o que têm feito para contribuir para tal indignação em massa, a fim de envolver-se na correção de suas políticas. Exatamente o mesmo benefício potencial foi gerado pelo fracasso no Iraque, pela crise financeira de 2008, pelo aumento de Trumpismo e outros movimentos anti-stablishment: tudo isso é uma prova de que as coisas estão indo muito mal para aqueles que detêm o maior poder e que a auto crítica nos círculos das elites é mais vital do que qualquer coisa.

Mas, como de costume, isso é exatamente o que eles mais se recusam a fazer. Em vez de reconhecer e abordar as falhas fundamentais dentro de si mesmos, eles estão dedicando suas energias a demonizar as vítimas de sua corrupção, tudo a fim de deslegitimar essas queixas e assim aliviar-se da responsabilidade de encontrar uma solução. Essa reação só serve para reforçar, se não justificar, as percepções de que estas instituições de elite estejam irremediavelmente auto-interessadas, tóxicas e destrutivas e portanto, não podem ser reformadas, mas sim devem ser destruídas. Isso, por sua vez, só garante que haverão muitos mais Brexits e Trumps, em nosso futuro coletivo.
Artigo original

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