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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Boff Denuncia a Ação dos EUA no Golpe

Área de atuação das frotas Americanas
O teólogo Leonardo Boff publica, nesta quarta-feira, um importante artigo que denuncia a ação dos EUA no golpe contra o governo Dilma Rousseff. Confira:

A crise brasileira e a geopolítica mundial


Seria errôneo pensar a crise do Brasil apenas a partir do Brasil. Este está inserido no equilíbrio de forças mundiais do âmbito na assim chamada nova guerra fria que envolve principalmente os EUA e a China. A espionagem norte-americana, como revelou Snowden atingiu a Petrobrás e as reservas do pré-sal e não poupou nem a presidenta Dilma. Isto é parte da estratégia do Pentágono de cobrir todos os espaços sob o lema: ”um só mundo e um só império”. Eis alguns pontos que nos fazem refletir.

No contexto global há um ascensão visível da direita no mundo inteiro, a partir dos próprios EUA e da Europa. Na América Latina está se fechando um ciclo de governos progressistas que elevaram o nível social dos mais pobres e firmaram a democracia. Agora estão sendo assolados por uma onda direitista que já triunfou na Argentina e está se pressionando todos os países sul-americanos. Falam, como entre nós, de democracia mas, na verdade, querem torná-la insignificante para dar lugar ao mercado e à internacionalização da economia.

O Brasil é o principal atingido e o impedimento da presidenta Dilma é apenas um capítulo de uma estratégia global, especialmente das grandes corporações e pelo sistema financeiro articulado com os governos centrais. Os grandes empresários nacionais querem voltar ao nível de ganho que tinham sob as políticas neo-liberais, anteriores a Lula. A oposição à Dilma e o apoio ao seu impedimento possui um viés patronal. A Fiesp com o Skaf, a Firjan, as Federações do Comércio de São Paulo, a Associação Brasileira da Indústria Eletrônica e Eletrodomésticos (Abinee), entidades empresariais do Paraná, Espírito Santo, Pará e muitas redes empresariais estão já em campanha aberta pelo impedimento e pelo fim do tipo de democracia social implantada por Lula-Dilma.

A estratégia ensaiada contra a “primavera árabe” e aplicada no Oriente Médio e agora no Brasil e na América Latina em geral consiste em desestabilizar os governos progressitas e alinhá-los às estratégias globais como sócios agregados. É sintomático que em março de 2014 Emy Shayo, analista do JB Morgan coordenou uma mesa redonda com publicitários brasileiros ligados à macroeconomia neoliberal com o tema:”como desestabilizar o governo Dilma”. Armínio Fraga, provável ministro da fazenda num eventual governo pós-Dilma vem do JB Morgan (cf. blog de Juarez Guimarães,”Por que os patrões querem o golpe”).

Noam Chomski, Moniz Bandeira e outros advertiram que os EUA não toleram uma potência como o Brasil no Atlântico Sul que tenha um projeto de autonomia, vinculado aos BRICS. Causa grande preocupação à política externa norte-americana a presença crescente da China, seu principal contendor, pelos vários países da América Latina, especialmente e no Brasil. Fazer frente a outro anti-poder que significam os BRICS implica atacar e enfraquecer o Brasil, um de seus membros com uma riqueza ecológica sem igual.

Talvez o nosso melhor analista da política internacional. Luiz Alberto Moniz Bandeira, autor de “A segunda Guerra Fria – geopolítica e dimensão estratégica dos Estados Unidos” (Civilização Brasileira 2013) e o deste ano “A desordem internacional” (do mesma editor) nos ajude a entender os fatos. Ele trouxe detalhes de como agem os EUA: ”Não é só a CIA… especialmente as ONGs financiadas pelo dinheiro oficial e semi-oficial como a USAID, a National Endwoment for Democracy, atuam comprando jornalistas e treinando ativistas”. O “The Pentagon´s New Map for War & Peace” enuncia as formas de desestabilização econômica e social através dos meios de comunicação, jornais, redes sociais, empresários e infiltração de ativistas Moniz Bandeira chega a afirmar que “não tenho dúvida de que no Brasil os jornais estão sendo subsidiados…e que jornalistas estão na lista de pagamento dos órgãos citados acima e muitos policiais e comissários recebem dinheiro da CIA diretamente em suas contas”(cf. Jornal GGN de Luis Nassif de 09/03/2016). Podemos até imaginar quais seriam esses jornais e os nomes de alguns jornalistas, totalmente alinhados à ideologia desestabilizadora de seus patrões.

Especialmente o pré-sal, a segunda maior jazida de gás e de petróleo do mundo, está na mira dos interesses globais. O sociólogo Adalberto Cardoso da UERJ numa entrevista à Folha de São Paulo (26/04/2015) foi explícito“Seria ingenuidade imaginar que não há interesses internacionais e geopolíticos de norte-americanos, russos, venezuelanos e árabes. Só haveria mudança na Petrobras se houvesse nova eleição e o PSDB ganhasse de novo. Nesse caso, se acabaria o monopólio de exploração, as regras mudariam. O empeachment interessa às forças que querem mudanças na Petrobrás: grandes companhias de petróleo, agentes internacionais que têm a ganhar com a saída da Petrobrás da exploração de Petróleo. Parte desses agentes quer tirar Dilma “.

Não estamos diante de um pensamento conspiratório, pois já sabemos como agiram os norte-americanos no golpe militar em 1964, infiltrados nos movimentos sociais e políticos. Não é sem razão que a quarta frota norte-americana do Atlântico Sul está perto de nossas águas. Devemos nos conscientizar de nossa importância no cenário mundial, resistir e buscar o fortalecimento de nossa democracia e fazer com que represente menos os interesses das empresas e mais as demandas tão ignoradas de nosso povo e na construção de nosso próprio caminho rumo ao futuro.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Documentos Top Secret Podem Ser Revelados Sobre 11 de Setembro

O papel da Arábia Saudita, do Governo Bush e de Israel nos ataques de 11 de Setembro
Os ataques ao World Trade Center em Nova York, 11 de setembro de 2001.
Terça-Feira 19 de abril de 2016 08:28

A Press TV entrevistou Kevin Barrett, um analista político e membro fundador do Painel Científico para Investigação de 11/09, em Wisconsin, para discutir os recentes desdobramentos sobre o papel da Arábia Saudita nos ataques de  11 de setembro de 2001 em Nova York, que matou cerca de 3.000 pessoas.

Esta é uma transcrição aproximativa da entrevista.

Press TV: O senhor fez parte do movimento para obter a verdade sobre o 11/09 e responsabilizar os responsáveis. O que o senhor acha últimos acontecimentos?
Barrett: Bem, este é um momento muito emocionante porque muitos de nós no movimento  A Verdade Sobre o 11/09 vêm pressionando para tentar obter a atenção da mídia convencional para fazer com que os políticos se interessem por esta questão há mais de uma década e, agora de repente temos um frenesi da mídia desde que o programa de investigação jornalística 60 Minutos mostrou na TV o escândalo das 28 páginas na semana passada.

A grande mídia está impulsionando enormemente no sentido de desclassificar estas 28 páginas e o que é realmente importante é que estes documento não só vão revelar que a Arábia Saudita teve um papel nos ataques de 9/11, mas talvez mais importante que os sauditas, vão revelar quem eram os amigos íntimos da administração Bush, que trabalhavam em agências norte-americanas e vão demonstrar que o saudita não era o único governo estrangeiro envolvido e os israelenses representaram um papel muito maior do que os sauditas.

Eu certamente espero que o conteúdo das 28 páginas arrombem esta grande lata de vermes do 11/07.
Press TV: Bem, eu gostaria de discutir o papel da Arábia nos ataques de 9/11; quanto é imperativo que isto seja divulgado e discutido?

Barrett: Bem, é extremamente importante porque muitas dessas questões carecem de provas documentais, sob a forma de documentos oficiais do governo dos EUA.

Sabemos que eles explodiram o World Trade Center e foi uma demolição controlada. Certamente não foi um colapso causado pelo fogo, mas não temos um documento do governo dos EUA, que confirme isso. Temos, no entanto, estas 28 páginas que detalham o fato de que havia uma relação entre a Arábia e os sequestradores de 11/09 e que estes documentos foram  classificados e encobertos pela administração Bush e pela Comissão 9/11, que naturalmente era uma comissão de fachada.

Portanto, temos prova documental de uma cobertura e isto é criticamente importante para a tomada de medidas legais, para aprovar leis, para se obter investigações e promover uma ação no tribunal. E quando sérias investigações sobre os ataques de 11/09 começarem e abrirmos processos no tribunal, testemunhas podem ser trazidas e obrigadas a falar sob juramento, a coisa toda poderia muito bem explodir e este seria o maior escândalo de sempre a atingir os Estados Unidos.

Press TV: Porque o senhor acha que o presidente Barack Obama é tão insistente em não deixar isso passar?

Barrett: Bem, eu acho que quando ele entrou na presidência, ele tinha um acordo com os elementos da administração anterior, que ele tenha se comprometido a não enforcá-los por seus crimes de guerra. Penso que eles essencialmente tenham encontrado um acordo e que ele ainda esteja encobrindo os crimes da administração Bush. Eu tenho certeza que ele sabe e, todo mundo que está prestando atenção sabe que, se as 28 páginas realmente forem desclassificadas, o público vai vêr que na verdade, aqueles 19 sequestradores foram apoiados não só por governos estrangeiros, mas por partes do governo dos EUA.

Isso vai responder as perguntas sobre por que o presidente Bush estava fumando charutos com Bandar Bush na Casa Branca logo após os ataques de 11/9 e comemorando.

Isto é apenas um gigantesco barril de dinamite política esperando para explodir e eu não vejo a hora que ele exploda porque os Estados Unidos estão arrasados neste momento e precisamos do tipo de tratamento de choque que a verdade de 11/9/11 nos daria.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A Sinistra Viagem do Sen. Aloysio Nunes do PSDB aos EUA

Sen. Aloysio Nunes
A CÂMARA DOS DEPUTADOS do Brasil votou a favor da admissibilidade do impeachment da presidente do país, Dilma Rousseff, encaminhando o processo de afastamento para o Senado.
Em um ato simbólico, o membro da casa que deu o voto favorável nº 342, mínimo para admitir o processo, foi o deputado Bruno Araújo, mencionado em um documento que demonstra que ele teria recebido fundos ilegais de uma das principais empreiteiras envolvidas no atual escândalo de corrupção do país.
Além disso, Araújo pertence ao partido de centro-direita PSDB, cujos candidatos perderam quatro eleições seguidas contra o PT, de esquerda moderada, partido de Rousseff, sendo a última delas há apenas 18 meses atrás, quando 54 milhões de brasileiros votaram pela reeleição de Dilma como presidente.
Esses dois fatos sobre Araújo sublinham a natureza surreal e sem precedentes do processo que ocorreu ontem em Brasília, capital do quinto maior país do mundo. Políticos e partidos que passaram duas décadas tentando — e fracassando — derrotar o PT em eleições democráticas encaminharam triunfalmente a derrubada efetiva da votação de 2014, removendo Dilma de formas que são, como o relatório do The New York Times de hoje deixa claro, na melhor das hipóteses, extremamente duvidosas. Até mesmo a revista The Economist, que há tempos tem desprezado o PT e seus programas de combate à pobreza e recomendou a renúncia de Dilma, argumentou que “na falta da prova de um crime, o impeachment é injustificado” e “parece apenas um pretexto para expulsar um presidente impopular. ”
Os processos de domingo, conduzidos em nome do combate à corrupção, foram presididos por um dos políticos mais descaradamente corruptos do mundo democrático, o presidente da Câmara Eduardo Cunha (em cima, ao centro) que teve milhões de dólares sem origem legal recentemente descobertos em contas secretas na Suíça, e que mentiu sob juramento ao negar, para os investigadores no Congresso, que tinha contas no estrangeiro. O The Globe and Mail noticiou ontem dos 594 membros da Câmara, “318 estão sob investigação ou acusados” enquanto o alvo deles, a presidente Dilma, “não tem nenhuma alegação de improbidade financeira”.
Um por um, legisladores manchados pela corrupção foram ao microfone para responder a Cunha, votando “sim” pelo impeachment enquanto afirmavam estarem horrorizados com a corrupção. Em suas declarações de voto, citaram uma variedade de motivos bizarros, desde “os fundamentos do cristianismo” e “não sermos vermelhos como a Venezuela e Coreia do Norte” até “a nação evangélica” e “a paz de Jerusalém”. Jonathan Watts, correspondente do The Guardian, apanhou alguns pontos da farsa:
Sim, votou Paulo Maluf, que está na lista vermelha da Interpol por conspiração. Sim, votou Nilton Capixaba, que é acusado de lavagem de dinheiro. “Pelo amor de Deus, sim!” declarou Silas Câmara, que está sob investigação por forjar documentos e por desvio de dinheiro público.
É muito provável que o Senado vá concordar com as acusações, o que resultará na suspensão de 180 dias de Dilma como presidente e a instalação do governo pró-negócios do vice-presidente, Michel Temer, do PMDB. O vice-presidente está, como o The New York Times informa, “sob alegações de estar envolvido em um esquema de compra ilegal de etanol”. Temer recentemente revelou que um dos principais candidatos para liderar seu time econômico seria o presidente do Goldman Sachs no Brasil, Paulo Leme.
Se, depois do julgamento, dois terços do Senado votarem pela condenação, Dilma será removida do governo permanentemente. Muitos suspeitam que o principal motivo para o impeachment de Dilma é promover entre o público uma sensação de que a corrupção teria sido combatida, tudo projetado para aproveitar o controle recém adquirido de Temer e impedir maiores investigações sobre as dezenas de políticos realmente corruptos que integram os principais partidos.

OS ESTADOS UNIDOS têm permanecido notavelmente silenciosos sobre esse tumulto no segundo maior país do hemisfério, e sua postura mal foi debatida na grande imprensa. Não é difícil ver o porquê. Os EUA passaram anos negando veementemente qualquer papel no golpe militar de 1964 que removeu o governo de esquerda então eleito, um golpe que resultou em 20 anos de uma ditadura brutal de direita pró-EUA. Porém, documentos secretos e registros surgiram, comprovando que os EUA auxiliaram ativamente no planejamento do golpe, e o relatório da Comissão da Verdade de 2014 no país trouxe informações de que os EUA e o Reino Unido apoiaram agressivamente a ditadura e até mesmo “treinaram interrogadores em técnicas de tortura.”
O golpe e a ditadura militar apoiadas pelos EUA ainda pairam sobre a controvérsia atual. A presidente Rousseff e seus apoiadores chamam explicitamente de golpe a tentativa de removê-la.
Um deputado pró-impeachment de grande projeção e provável candidato à presidência, o direitista Jair Bolsonaro (que teve seu perfil traçado por The Intercept no ano passado), elogiou ontem explicitamente a ditadura militar e homenageou o Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe de tortura da ditadura (notavelmente responsável pela tortura de Dilma). Filho de Bolsonaro, Eduardo, também na casa, afirmou que estava dedicando seu voto pelo impeachment “aos militares de ’64”: aqueles que executaram o golpe e impuseram o poder militar.
A invocação incessante de Deus e da família pelos que propuseram o impeachment, ontem, lembrava o lema do golpe de 1964: “Marcha da Família com Deus pela Liberdade.” Assim como os veículos de comunicação controlados por oligarquias apoiaram o golpe de 1964, como uma medida necessária contra a corrupção da esquerda, eles estiveram unificados no apoio e na incitação do atual movimento de impeachment contra o PT, seguindo a mesma lógica.
Por anos, o relacionamento de Dilma com os EUA foi instável, e significativamente afetado pelas declarações de denúncia da presidente à espionagem da NSA, que atingiu a indústria brasileira, a população e a presidente pessoalmente, assim como as estreitas relações comerciais do Brasil com a China. Seu antecessor, Lula da Silva, também deixou de lado muitos oficiais norte-americanos quando, entre outras ações, juntou-se à Turquia para negociar um acordo independente com o Irã sobre seu programa nuclear, enquanto Washington tentava reunir pressão internacional contra Teerã. Autoridades em Washington têm deixado cada vez mais claro que não veem mais o Brasil como seguro para o capital.
Os EUA certamente têm um longo — e recente — histórico de criar instabilidade e golpes contra os governos de esquerda Latino-Americanos democraticamente eleitos que o país desaprova.
Além do golpe de 1964 no Brasil, os EUA foram no mínimo coniventes com a tentativa de depor o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em 2002; tiveram papel central na destituição do presidente do Haiti, Jean-Bertrand Aristide em 2004; e a então Secretária de Estado, Hillary Clinton, prestou apoio vital para legitimar o golpe 2009 em Honduras, apenas para citar alguns exemplos.
Muitos na esquerda brasileira acreditam que os EUA estão planejando ativamente a instabilidade atual no país com o propósito de se livrar de um partido de esquerda que se apoiou fortemente no comércio com a China, e colocar no lugar dele um governo mais favorável aos EUA que nunca poderia ganhar uma eleição por conta própria.

EMBORA  NÃO TENHA surgido nenhuma evidência que comprove essa teoria, uma viagem aos EUA, pouco divulgada, de um dos principais líderes da oposição brasileira deve provavelmente alimentar essas preocupações. Hoje — o dia seguinte à votação do impeachment — o Sen. Aloysio Nunes do PSDB está em Washington para participar de três dias de reuniões com várias autoridades norte americanas, além de lobistas e pessoas influentes próximas a Clinton e outras lideranças políticas.
O Senador Nunes vai se reunir com o presidente e um membro do Comitê de Relações Internacionais do Senado, Bob Corker (republicano, do estado do Tennessee) e Ben Cardin (democrata, do estado de Maryland), e com o Subsecretário de Estado e ex-Embaixador no Brasil, Thomas Shannon, além de comparecer a um almoço promovido pela empresa lobista de Washington, Albright Stonebridge Group, comandada pela ex-Secretária de Estado de Clinton, Madeleine Albright e pelo ex-Secretário de Comércio de Bush e ex-diretor-executivo da empresa Kellogg, Carlos Gutierrez.
A Embaixada Brasileira em Washington e o gabinete do Sen. Nunes disseram ao The Intercept que não tinham maiores informações a respeito do almoço de terça-feira. Por email, o Albright Stonebridge Group afirmou que o evento não tem importância midiática, que é voltado “à comunidade política e de negócios de Washington”, e que não revelariam uma lista de presentes ou assuntos discutidos.
O Senador Aloysio Nunes é uma figura da oposição extremamente importante — e reveladora — para viajar aos EUA para esses encontros de alto escalão. Ele concorreu à vice-presidência em 2014 na chapa do PSDB que perdeu para Dilma e agora passa a ser, claramente, uma das figuras-chave de oposição que lideram a luta do impeachment contra Dilma no Senado.
Como presidente da Comissão de Relações e Defesa Nacional do Senado, Nunes defendeu repetidas vezes que o Brasil se aproxime de uma aliança com os EUA e o Reino Unido. E — quase não é necessário dizer — Nunes foi fortemente apontado em denúncias de corrupção; em setembro, um juiz ordenou uma investigação criminal após um informante, um executivo de uma empresa de construção, declarar a investigadores ter oferecido R$ 500.000 para financiar sua campanha — R$ 300.000 enviados legalmente e mais R$ 200.000 em propinas ilícitas de caixa dois — para ganhar contratos com a Petrobras. E essa não é a primeira acusação do tipo contra ele.
A viagem de Nunes a Washington foi divulgada como ordem do próprio Temer, que está agindo como se já governasse o Brasil. Temer está furioso com o que ele considera uma mudança radical e altamente desfavorável na narrativa internacional, que tem retratado o impeachment como uma tentativa ilegal e anti-democrática da oposição, liderada por ele, para ganhar o poder de forma ilegítima.
O pretenso presidente enviou Nunes para Washington, segundo a Folha, para lançar uma “contraofensiva de relações públicas” e combater o aumento do sentimento anti-impeachment ao redor do mundo, o qual Temer afirma estar “desmoraliz[ando] as instituições brasileiras”. Demonstrando preocupação sobre a crescente percepção da tentativa da oposição brasileira de remover Dilma, Nunes disse, em Washington, “vamos explicar que o Brasil não é uma república de bananas”. Um representante de Temer afirmou que essa percepção “contamina a imagem do Brasil no exterior”.
“É uma viagem de relações públicas”, afirma Maurício Santoro, professor de ciências políticas da UFRJ, em entrevista ao The Intercept. “O desafio mais importante que Aloysio enfrenta não é o governo americano, mas a opinião pública dos EUA. É aí que a oposição está perdendo a batalha”.
Não há dúvida de que a opinião internacional se voltou contra o movimento dos partidos de oposição favoráveis ao impeachment no Brasil. Onde, apenas um mês atrás, os veículos de comunicação da mídia internacional descreviam os protestos contra o governo nas ruas de forma gloriosa, os mesmos veículos agora destacam diariamente o fato de que os motivos legais para o impeachment são, no melhor dos casos, duvidosos, e que os líderes do impeachment estão bem mais envolvidos com a corrupção do que Dilma.
Temer, em particular, estava abertamente preocupado e furioso com a denúncia do impeachment pela Organização de Estados Americanos, apoiada pelo Estados Unidos, cujo secretário-geral, Luis Almagro, disse que estava “preocupado com [a] credibilidade de alguns daqueles que julgarão e decidirão o processo” contra Dilma. “Não há nenhum fundamento para avançar em um processo de impeachment [contra Dilma], definitivamente não”.
O chefe da União das Nações Sul-Americanas, Ernesto Samper, da mesma forma, disse que o impeachment é “um motivo de séria preocupação para a segurança jurídica do Brasil e da região”.
A viagem para Washington dessa figura principal da oposição, envolvida em corrupção, um dia após a Câmara ter votado pelo impeachment de Dilma, levantará, no mínimo, dúvidas sobre a postura dos Estados Unidos em relação à remoção da presidente. Certamente, irá alimentar preocupações na esquerda brasileira sobre o papel dos Estados Unidos na instabilidade em seu país. E isso revela muito sobre as dinâmicas não debatidas que comandam o impeachment, incluindo o desejo de aproximar o Brasil dos EUA e torná-lo mais flexível diante dos interesses das empresas internacionais e de medidas de austeridade, em detrimento da agenda política que eleitores brasileiros abraçaram durante quatro eleições seguidas.

ATUALIZAÇÃO: Antes desta publicação, o gabinete do Sen. Nunes informou ao The Intercept que não tinha mais informações sobre a viagem dele à Washington, além do que estava escrito no comunicado de imprensa, que data de 15 de abril. Subsequente à publicação, o gabinete do Senador nos indicou informação publicada no Painel do Leitor (Folha de S. Paulo, 17.04.2016) onde Nunes afirma — ao contrário da reportagem do jornal — que a ligação do vice-presidente Temer não foi o motivo para sua viagem a Washington.
Traduzido por: Beatriz Felix, Patricia Machado e Erick Dau
Artigo Original 
Original English Version

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O Gênesis Segundo Swami Sri Yukteswar



O livro de Gênesis é profundamente simbólico, e não pode ser compreendido por uma interpretação literal ", explicou.
"A árvore da vida" é o corpo humano.
A medula espinhal é como uma árvore de cabeça para baixo, com o cabelo do homem como suas raízes e os nervos como ramos.
A árvore do sistema nervoso produz muitos frutos agradáveis, e os sentidos da visão, audição, olfato, paladar e tato.
Nestes, o homem pode entrar legitimamente; mas ele foi proibido a experiência do sexo, a "maçã" no centro do jardim corporal ".
 "A serpente" representa a energia espinhal enrolada que estimula os nervos sexuais.
'Adão' é a razão, e 'Eva' é o sentimento.
Quando a emoção ou Eva em qualquer ser humano é dominada pelo impulso sexual, a sua razão ou Adão também sucumbe.
 "Deus criou a espécie humana materializando os corpos do homem e da mulher pela força da sua vontade;
Ele dotou a nova espécie com o poder de procriar de maneira "imaculada" semelhante à divina.
Porque Sua manifestação na alma individualizada até então havia sido limitada a animais, ligadas ao instinto e sem as potencialidades completas da razão, Deus fez os primeiros corpos humanos; simbolicamente chamados Adão e Eva.
Para favorecer sua evolução ascendente, transferiu as almas ou essência divina de dois animais.
Em Adão ou homem, a razão predominou; em Eva ou mulher, o sentimento predominava.
Assim foi expressa a dualidade ou polaridade às quais os mundos fenomenais estão submissos.
Razão e sentimento permanecem em um paraíso de alegria cooperativa, desde que a mente humana não seja enganada pela energia serpentina de propensões animais.
"O corpo humano, portanto, não era apenas um resultado da evolução dos animais, mas foi criado por um ato especial de Deus.
As formas animais eram muito brutas para expressar plena divindade; ao ser humano foi dada com exclusividade tremendas capacidades mentais do "lótus de mil pétalas" do cérebro, bem como centros ocultos agudamente despertados na coluna vertebral.
Deus, ou a Consciência Divina presente dentro do primeiro casal criado, aconselhou-os a desfrutar de todas as sensibilidades humanas, mas não se concentrar nas sensações de toque.
Elas foram proibidas, a fim de evitar o desenvolvimento dos órgãos sexuais, que enredam humanidade no modo dos animais inferiores de procriação.
O aviso para não reviver memórias bestiais preexistentes não foi atendido.
Retomando o caminho da procriação bruta, Adão e Eva caíram do estado de alegria celestial, natural ao homem perfeito original.
"O conhecimento" do bem e do mal "refere-se a compulsão dualista cósmica.
Caindo sob a influência de maya através do uso indevido de seu sentimento e razão,  Eva e Adão abandonaram o direito de entrar no jardim celeste da divina auto-suficiência.
A responsabilidade pessoal de cada ser humano é restaurar seus "pais" ou dupla natureza para uma harmonia unificada ou Éden ".