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quarta-feira, 30 de março de 2016

Padmásana

A Postura do Lótus
A Postura do Lótus é uma ásana sentada de pernas cruzadas, originária de práticas de meditação da Índia antiga, em que os pés são colocados sobre as coxas opostas. É uma ásana importantíssima, comumente usada para a meditação na yoga assim como nas tradições Hinduístas, Jainistas e Budistas. A ásana que lembra uma flor de lótus, é usada para incentivar a respiração adequada na prática dos pranayamas e para estabilizar o corpo e a mente durante a meditação.
Shiva, o protetor dos yogues, Siddhartha Gautama, o fundador do Budismo, Babaji Krishna o mahavatar imortal assim como Lahiri Mahasaya de Benares, o propagador da ciência da Kriya Yoga, além dos Tirthankaras do jainismo são representados na posição do lótus.
Padmásana significa "trono Lótus" e é também um termo usado para tronos reais, muitas vezes decorados com motivos da folha de lótus, entalhados em sit art. No Hinduísmo balinês, uma característica proeminente dos templos é uma forma especial de santuário com tronos vazios montados em colunas, para divindades, especialmente Acintya.
No budismo chinês, a posição do lótus também é chamada de "posição vajra ou diamante”.  As tradições do budismo tibetano também se referem à posição do lótus como a "posição vajra”.
Exercícios preparatórios para a execução de Padmásana
Padmásana pode ser muito difícil para os iniciantes e por isso os yogues desenvolveram Ardha Padmásana, a meia posição. Neste caso apenas um pé é colocado sobre a coxa oposta enquanto o outro fica apoiado ao chão. Se Ardha Padmásana for praticada quotidianamente por pelo menos dois minutos, alternando as pernas, em um período relativamente breve, que pode ser de 40 dias em média, o praticante será capaz de executar com sucesso a postura completa.
Se o corpo for muito rígido, para se obter a elasticidade das articulações se pode tomar leite cru natural misturado com açafrão da Índia, a cúrcuma. Esta mistura é também útil para purificar o sangue.
O exercício preparatório mais eficaz para preparar as articulações antes de executar a postura do lótus consiste em dobrar a perna no solo e agarrar a parte externa do calcanhar e tornozelo com a palma de uma mão enquanto a outra mão pega o joelho por dentro e se faz uma leve torção. Se empurra o joelho para baixo enquanto se puxa o pé para cima. Este movimento trabalha as articulações coxo-femurais, dos joelhos e dos pés. Este exercício deve ser feito por dois ou três minutos diariamente, sem forçar.
Outro procedimento para facilitar a realização de Padmásana é sentar-se em Bhadrásana mas com as mãos sobre os joelhos, forçando levemente as rótulas para que cheguem cada vez mais perto do chão.
Como para todas as técnicas na yoga, esta ásana deve ser praticada sem fazer esforços excessivos. Isso requer paciência e perseverança, duas qualidades que o yogue precisa desenvolver para se aperfeiçoar.
O esforço excessivo ao executar Padmásana pode causar sérios danos aos joelhos e aos calcanhares. O praticante deve iniciar a prática de Padmásana somente após haver executado algumas outras ásanas para aquecer adequadamente o corpo e alongar as articulações.
Para solicitar o menos possível as articulações dos joelhos, é indicado dobrar ao máximo a perna aproximando o calcanhar antes de apoiar o pé na coxa. Aproximar o calcanhar á virilha depois de ter dobrado a outra perna cria uma solicitação injustificada dos ligamentos dos joelhos. Da mesma forma, nas fases preparatórias iniciais para esta postura não é absolutamente indicado levantar demais o pé sobre a coxa.
Uma modalidade natural para diminuir as dores nas articulações durante a execução de Padmásana é ungir diariamente as partes interessadas com óleo essencial de terebintina (agarrás ou essência de pino). A essência de terebintina é presente na composição de muitas receitas de curativos para esportistas. Ela favorece a irrigação sangüínea e amplifica a agilidade dos ligamentos. Por isso devemos procurar a essência pura. Seja antes que depois de sua aplicação podemos massagear as partes com óleo de amendoim ou azeite de oliva.
Os textos tradicionais yógicos afirmam que esta postura é executada com rápido sucesso por aqueles que praticam constantemente brahmacharya (a continência sexual) e pelos eremitas.
No caso em que o yogue execute Siddhásana após a execução de Padmásana por longos períodos, sua atração sexual diminui, conduzindo-o espontaneamente à abstinência. Por este motivo a prática de Siddhásana por um período muito longo de tempo não é indicada para os homens que têm uma vida social normal. Todavia esta restrição não se aplica a Padmásana que, mesmo sendo executada por muito tempo, facilita a continência, ou controle da ejaculação em homens de todas as idades.
A técnica de execução
Parte esquerda passo a passo
Sente-se no chão com as pernas esticadas na frente.
Dobre o joelho direito, levante e agarre a perna direita com a ajuda das mãos como se estivesse pegando um bebê.
A borda externa do pé direito fica entalhada na dobra do cotovelo esquerdo ao mesmo tempo que o joelho fica encravado na dobra do cotovelo direito,  as mãos são cruzadas (se possível) fora da canela.
Aproxime o tronco em direção à parte interior da perna direita, de modo que a coluna vertebral se alongue (e a parte lombar não se vire). Balance a perna para frente e para trás algumas vezes, explorando toda a gama de movimentos da articulação do quadril.
Dobre o joelho esquerdo e distancie a perna. Isso requer um pouco de esforço dos músculos do abdômen.
Balance a perna direita distanciando-a bastante para a direita e bloqueie o joelho dobrado pressionando a parte de trás da coxa à batata da perna.
Em seguida balance a perna na frente do tronco, girando o quadril e não o joelho, e acomode a borda externa do pé na virilha direita interior. Lembre-se que a coxa esquerda está distanciada.
Certifique-se de trazer o joelho direito o mais próximo da esquerda possível, e pressione o calcanhar direito na parte inferior esquerda do umbigo, fazendo uma torção da panturrilha. Idealmente, a sola do pé fica perpendicular ao chão, não paralela.
Agora incline ligeiramente para trás, deixe a perna direita do chão e levante a perna esquerda na frente da direita.
Para fazer isso segure a parte inferior da perna esquerda com as mãos. Deslize cuidadosamente a perna esquerda sobre a direita, aconchegando a borda do pé esquerdo profundamente na virilha direita.
Novamente rode a posição da articulação do quadril, pressionando o calcanhar contra o baixo ventre, e posicione a sola do pé perpendicular ao chão.
Posicione os joelhos o mais próximo possível. Use as bordas dos pés para pressionar as virilhas contra o chão e levante e endireite o peito.
Se desejar, você pode colocar as palmas das mãos para cima no mudra jnana, com os indicadores tocando as raízes dos polegares.
Padmásana é a postura sentada por excelência mas não é para todos. Os estudantes avançados podem usá-la como assento para suas práticas de pranayamas diárias ou meditações, mas os novatos podem usar outras posições mais fáceis.
No início mantenha a postura apenas por alguns segundos e saia rapidamente.
Lembre-se que Padmásana é uma posição sentada nos dois lados, por isso não deixe de trabalhar com ambas as pernas cruzando uma por cima da outra e trocando suas posições cada vez que executá-la.
Aos poucos, adicione à postura alguns segundos, pode ser um pouco mais cada semana até que consiga sentar-se confortavelmente por um minuto ou mais. O estudante que consegue ficar nesta postura por 30 minutos ou mais pode se considerar um praticante avançado.
Idealmente, o praticante deve trabalhar com um professor para monitorar seu progresso.
A tomada de consciência da parte esquerda
Nos concentramos em perceber a intensa ativação do chakra Ajna em seu aspecto receptivo, negativo, notando uma amplificação da sensibilidade no plano mental que nos permite uma inefável ressonância com as energias mentais mais elevadas, com os pensamentos, as aspirações e as idéias dos yogues e dos seres mais evoluídos que existem e que existiram no Universo.
Notamos assim gradualmente uma extraordinária dilatação da esfera da própria consciência, uma amplificação da receptividade telepática, uma visão muito ampla e profunda do cosmo e dos mistérios da natureza ao ponto de podermos nos projetar completamente, com muita facilidade, nas dimensões paralelas do Universo.
Além disso podemos perceber o despertar controlado da energia Kundalini Shakti e sua subida pela coluna vertebral até o chakra Ajna, coisa que facilita o surgimento de experiências mentais extremamente elevadas e puras.
Repita a execução do lado direito repetindo o passo a passo trocando apenas o lado de execução.
A tomada de consciência da parte direita
Nos concentramos em perceber a ativação do chakra Ajna em seu aspecto positivo, emissivo, notando interiormente o despertar e a amplificação de um estado de comando, controle, dinamismo e força no plano mental. Notamos também uma dilatação ativa, expansiva da consciência sentindo ao mesmo tempo, a amplificação do poder mental de transmitir aos outros nossas idéias e pensamentos, a disponibilidade amplificada de induzir quase instantaneamente estados mentais sublimes, elevados. Adquirimos mais lucidez, maior capacidade de penetração mental, inventiva, genial, a amplificação da inteligência, criatividade imensa derivante da habilidade de adaptar e pôr em prática idéias e pensamentos dos planos mentais elevados, percebidos intensamente sobretudo durante a execução de Padmásana do lado esquerdo.
Nas fases mais elevadas de prática, notamos gradualmente o despertar e a amplificação da clarividência que nos permite comunicar telepaticamente com os deuses e deusas do Macrocosmo.
No final da postura notamos as diferenças evidentes que aparecem nos lados esquerdo e direito e um estado de equilíbrio e harmonia mental extraordinário em nosso inteiro ser.
O estado de equilíbrio polar do chakra Ajna cria automaticamente as premissas para o mesmo equilíbrio em todos os chakras inferiores e nos permite intuir o que é o estado andrógino no qual existe uma harmonia polar perfeita entre as energias yin, femininas e yang, masculinas em nosso ser.
A execução da postura prevalentemente no lado esquerdo se fará quando se deseja, na meditação, compreender e absorver telepaticamente, uma condição espiritual manifestada por um ser espiritual evoluído, por uma entidade ou divindade. Quando desejamos transmitir este estado mental elevado a outros, executamos Padmásana no lado direito.
Posição das mãos
Existem diversas indicações para posicionar as mãos durante a execução de Padmásana. Cada uma produz resultados diferentes e devem ser compreendidas através dos ensinamentos sobre os Mudras, ou gestos. Aqui vou mencionar uma famosa afirmação do célebre yogue Brahmachary, segundo a qual as mãos unidas e colocadas diante da barriga intensificam Laghima Shakti fazendo em modo que o corpo do yogue se torne gradualmente mais leve e possa levitar. Ao contrário, mantendo as mãos sobre os joelhos, o efeito das energias sutis da gravitação é muito amplificado e o corpo se torna sempre mais pesado.
O Olhar em Padmásana
Durante a execução da postura do lótus os olhos devem permanecer fechados mas existem alguns textos yógicos secretos que falam de cinco modos fundamentais para fixar o olhar durante esta postura. Eles são os seguintes:
BHRU-MADHYA-DRISHI – O olhar orientado ao centro, entre as sobrancelhas. Este olhar desperta e amplifica a visão da luz interior que facilita a percepção das cores áuricas e das correntes sutis coloridas;
SAMA-DRISTHI – O olhar para a frente. Este olhar é útil sobretudo para aqueles que praticam Trataka, ou seja, que fixam um yantra ou um ponto;
NASIKAGRA-DRISTHI – O olhar orientado à ponta do nariz. Este olhar confere a visão das cores e percepção das energias dos cinco elementos de base, Tattvas. O termo elemento aqui não deve ser confundido com os elementos da química moderna, ele se refere à filosofia Samkhya que define os cinco tipos essenciais da matéria que compõem o Universo. Eles são: AKASHA, o éter, VAYU, o vento ou ar, TEJAS, o fogo, APAS, água e PRITHIVI, terra. Estes termos em português são generalizações que se referem aos aspectos sutis desses elementos e não aos seus equivalentes físicos ou químicos como os conhecemos. Esta é uma matéria que precisa ser aprofundada em um capítulo específico.
ARDHONMESHA – Com as pálpebras semi abertas. Este olhar ajuda acelerar o progresso em Shambhavi Mudra, o olhar fixo no ponto entre as sobrancelhas.
NERTHABANDHA – Os olhos fechados sem olhar para um ponto específico. A condição de quem ainda possuía mente inquieta e não consegue fixar o olhar em um ponto durante a meditação.
Efeitos benéficos
Padmásana é considerada unanimemente uma das posturas mais eficazes da Hatha Yoga. Alguns textos tradicionais yógicos a colocam em segundo lugar entre todas as 8.400.000 ásanas descritas por Shiva, em primeiro lugar está colocada Siddhásana, a postura perfeita.
Padmásana é indicada para despertar e desenvolver extraordinariamente as forças físicas, psíquicas mentais e espirituais latentes no ser humano além de permitir um estado de meditação profunda, transfigurante, A postura do lótus induz um estado de contemplação, adoração e oração.
Nesta postura se pode realizar com sucesso os pranayamas e sua execução pode levar o devoto à revelação do seu Si Supremo facilitando assim o atingimento do estado beatífico de fusão inefável com Deus, Samadhi.
Um dos maravilhosos efeitos desta postura deriva do fato que nela o tronco, a cabeça, os braços e as pernas traçam os ângulos de uma pirâmide realizada proporcionalmente com o nosso corpo físico. O corpo assim se torna uma pirâmide sui generis e graças ao complexo efeito de ressonância que desencadeia esta forma geométrica, os corpos sutis do ser humano são invadidos por energias benéficas, regenerantes, superiores.
Padmásana é a única postura em que a posição do corpo permanece imperturbada mesmo durante a execução de algumas técnicas de pranayamas que fazem com que o corpo levite do solo. O texto Yoga Tattva Upanishad afirma que o yogue que fica bastante tempo na postura do lótus pode levitar espontaneamente e permanecer no ar. Este yogue possui grandes poderes paranormais.
Efeitos benéficos no plano físico
Padmásana elimina a constipação, indigestões e flatulência. Melhora e cura inflamações e dores nas articulações das pernas, especialmente dos joelhos e calcanhares, tonifica as costas e os órgãos internos.
A compressão simétrica das coxas faz com que a circulação nas pernas diminua e o coração pompe o sangue arterioso destinado ás pernas ao abdômen favorecendo-o.
Padmásana nunca é perigosa pelo fato de diminuir a circulação sangüínea nas pernas.
Svatmarama em seu tratado Hatha Yoga Pradipika diz que Padmásana aniquila em pouco tempo todos os males e sofrimentos. Apesar de ser de difícil execução, ela torna possível o atingimento da perfeição a todos os seres humanos inteligentes desta terra que a praticarem assiduamente.
No tratado Yoga Tattva Upanishad se afirma que estando em Padmásana, com o olhar focado na ponta do nariz, o yogue deve inclinar-se ao grande sábio e protetor dos yogues, o Supremo Shiva e depois praticar os pranayamas.
No Hatha Yoga Pradipika, Svatmarama diz que se o yogue se senta firmemente em Padmásana, depois de uma inspiração profunda orienta seu sopro sutil a Sushumna Nadi, se torna imediatamente um iluminado, sobre isso não ha dúvidas.
Tendo em mente todos estes benefícios extraordianários, é evidente o motivo pelo qual Padmásana se encontra entre as 84 posturas fundamentais. Mesmo que o yogue a execute sem necessariamente  realizar os pranayamas ou a meditação, ele se beneficiará imensamente de sua prática após um curto período de tempo.

sábado, 5 de março de 2016

Histórias Sobre Yogananda



Histórias de Bernard Sobre Paramhansa Yogananda

Estas histórias sobre as experiências de Bernard Cole com Paramhansa Yogananda foram escritas por mim (Richard Salva) no início de 2000 e publicadas on-line em um site, em inglês e em seguida publicadas novamente (Sempre em inglês) anos mais tarde pelo meu amigo (do autor) Lorne Dekun em seu site Ananda Michigan. Eu  recentemente as editei em 2016 e agora estou oferecendo-lhes aqui essa nova edição. – Richard Salva

Em 1978, Swami Kriyananda estava em uma turnê nacional (nos EUA) falando com um grupo de pessoas de Ananda Village - a comunidade que ele havia fundado no espírito do ideal de colônias da fraternidade mundial de Yogananda. Em um certo ponto durante o passeio, Kriyananda parou em Santa Barbara, Califórnia, onde um outro discípulo direto do Mestre, Norman Paulsen, tinha fundado uma comunidade chamada Sunburst Farm: Brotherhood of the Sun ( Irmandade do Sol). Aconteceu que Bernard Cole estava na comunidade de Norman naquele período, e os três se reuniram à noite para compartilhar suas histórias sobre Yogananda com todos que estavam presentes.

Kriyananda começou lendo seleções de sua autobiografia, The Path, que se relacionavam às suas associações com Bernard, Norman, e o Mestre. Norman, então, compartilhou suas próprias lembranças (a essência da descrição que ele escreveu mais tarde em seu livro publicado com o título de Consciência Crística). Então, Bernard se levantou para falar.

Bernard Cole, Norman Paulsen, e Swami Kryananda na Sunburst Farms, em 1978


Eu (o autor) não estava presente neste satsang. A história que Bernard contou foi retransmitida a mim logo depois por alguém que tinha estado lá.
O que eu estou escrevendo aqui é o que eu me lembro do que me foi dito há mais de vinte anos, mas é uma história tão impressionante que eu creio que minha memória deste evento seja fiel. (Mais tarde, me foi dito por alguém que também tinha estado presente na reunião que o que eu escrevi era exatamente como ela se lembrava).

Quando Bernard se levantou para falar, alguém tentou entregar-lhe um microfone. "Eu não preciso desta coisa!", Declarou. De fato parecia que a sua voz, velho como era, tinha forças suficientes para alcançar todos na multidão.

Bernard começou informando a platéia que ele era um jovem de dezessete anos quando conheceu Yogananda. Ele vivia em Los Angeles na época, e tinha idade suficiente para trabalhar. Uma de suas  colegas de trabalho passou a ser secretária do Mestre, ou servia em alguma outra forma Self-Realization Fellowship. De qualquer forma, esta mulher passou a insistir para que Bernard fosse conhecer Yogananda, que na época estava dando entrevistas pessoais aos sábados na Igreja em Hollywood.

Bernard disse: "Ela ficava me dizendo, 'Oh, você precisa ir conhecer o Mestre!'" Mas Bernard ia adiando. Eu acredito que ele não estava no caminho espiritual na época, e sua reação foi que tudo parecia excêntrico. No entanto, como ele dizia, "ela continuou incomodando" ele sobre isso e, finalmente, Bernard cedeu e decidiu fazer uma tentativa, "só para calar a boca dela!"

Bem, quando Bernard chegou à igreja de Hollywood, notou que ele não estava sozinho em sua decisão. Na verdade, ele encontrou-se no final de uma longa fila de pessoas que tinham chegado mais cedo, a fim de ter uma entrevista com Yogananda.

Bernard acabou esperando lá o dia todo e, para adicionar insulto à injúria, quando sua vez finalmente chegou, ele foi informado de que as entrevistas tinham acabado e que o Mestre não iria receber mais ninguém!

Bernard ficou furioso. A próxima vez que viu sua amiga, ele disse a ela o que tinha acontecido, juntamente com sua intenção nunca mais perder seu tempo novamente de maneira tão estúpida.

No entanto, ela (abençoado seja seu coração), continuou a incomodá-lo. "Ela continuava dizendo", "Você tem que encontrar o Mestre! Você consegue encontrar o Mestre! '' Tudo bem! 'Eu disse,' eu vou mais uma vez. Mas é melhor que ele me receba desta vez! "

Bem, inacreditavelmente, a mesma coisa aconteceu! Mais uma vez, Bernard enfrentou uma longa fila por muitas horas, e mais uma vez, quando ele finalmente chegou à frente da fila, a porta foi fechada em seu rosto!

Bernard ficou, compreensivelmente, profundamente infeliz com estes acontecimentos e renovou sua determinação de nunca mais pôr os pés na Igreja de Hollywood novamente.

Ainda assim, sua amiga não cedeu, insistia para que Bernard “desse mais um tiro." Bernard, sentindo-se um imbecil, acabou por ceder e viu-se mais uma vez de pé em uma longa fila, olhando para a porta que ele tinha certeza nunca iria abrir para ele.

E então, talvês porque ele tinha chegado mais cedo ou porque seu karma tinha clareado o suficiente para permitir que isso acontecesse,  a secretária aproximou-se e disse: "O mestre vai recebê-lo agora."

Com uma sensação de trepidação, Bernard entrou na sala de entrevistas de Yogananda, onde encontrou o mestre, com seu manto laranja, cabelos longos escuros, olhos brilhantes e sorriso delicado, esperando por ele.

Pela descrição de Bernard, o Mestre estava sentado e disse ao jovem para se sentar também, indicado-lhe uma cadeira que tinha sido puxada para sua frente.

A voz áspera de Bernard se tornou um pouco mais suave quando ele falou sobre o mobiliário do cômodo, dando à audiência uma imagem mais completa da ocasião. Ele lembrou que as cortinas eram em azul e ouro. "As cores do Mestre", ele as chamou. Kriyananda e Norman, que estavam sentados atrás de Bernard na plataforma com os olhos fechados, sorriram e acenaram com cabeças, recordando suas próprias entrevistas e experiências com o Mestre naquela mesma sala.

O Mestre, talvez percebendo o nervosismo de Bernard e desejando colocá-lo à vontade, fez-lhe algumas perguntas básicas. Bernard ainda estudava? Tinha um emprego, e se assim era, o que ele fazia? Ele morava com sua família, e em que bairro de Los Angeles? E assim por diante.

Depois de terem coversado por alguns minutos e que o gelo tinha sido quebrado, o Mestre parou de fazer perguntas e sentou-se, não me lembro se olhando para Bernard, ou com os olhos fechados.

E então, para surpresa de Bernard, Yogananda arrastou sua cadeira de modo que seus joelhos tocassem os de Bernard, e se inclinou para ele. "O que ele está fazendo?", Bernard se perguntou. Em seguida, o Mestre estendeu suas mãos e puxou a cabeça de Bernard para a frente de modo que suas testas se tocaram. Os pensamentos de Bernard fugiram.

A cabeca de Bernard foi preenchida com um caleidoscópio de luz brilhante, turbilhonante. Ao mesmo tempo, seu coração queria explodir de felicidade. Nessa luz Bernard viu, como em um noticiário, imagens de si mesmo com Yogananda em vidas passadas, uma vida após o outra. Eles viajavam através dos séculos. O Mestre tinha sido sempre o guru, e Bernard o discípulo. De uma forma ou de outra, em um ou outro país, vestindo roupas  e nomes diferentes, eles tinham representado os mesmos papéis durante todo o tempo.

Finalmente o Mestre soltou da cabeça de Bernard e recostou-se na cadeira. Ele sorriu para o jovem, sua cabeça se inclinou para um lado e disse: "Bem?" Bernard ficou de pé. "Isso foi ótimo!" Ele desabafou. "Tenho que ir!" E, rápido como um raio, ele saiu pela porta!

Bernard era jovem e inexperiente, e a visão que o Mestre havia lhe dado, embora poderosa e profundamente significativa, o deixou em estado de choque. Bernard demorou um pouco de tempo para se recuperar, mas quando o fez, ele percebeu que não tinha outro desejo senão o de ver o Mestre, estar com ele e sondar as profundezas do vínculo interior que aquela visão tinha insinuado. E assim, não muito tempo depois Bernard juntou suas coisas e se mudou para Monte Washington, onde Yogananda tinha seu quartel-general.

Este testemunho tem a ver com a morte de Yogananda:


O tom de Bernard ficou sério quando falou dos dias seguintes ao mahasamadhi do Mestre (a saída consciente de um mestre espiritual de seu corpo). Bernard não estava presente na ocasião, dos discípulos diretos, os únicos que estavam presentes eram Swami Kriyananda, Daya Mata, e Ananda Mata. Porém Bernard participou da cerimônia de funeral em Monte Washington.

Após o mahasamadhi do Mestre, Bernard ficou entre o grupo dos que velavam seu corpo durante a noite. Na verdade, ele estava presente durante o último turno, embora seus pensamentos durante as horas noturnas fossem sem dúvida muito diferentes daqueles dos outros discípulos.

Ele disse que, sempre que olhava para Mestre deitado no caixão, sua mente continuava voltando para as coisas surpreendentes que Yogananda tinha feito nos primeiros anos para demonstrar a sua poderes yógicos. Ocorreu-lhe que o Mestre poderia estar fazendo algo semelhante agora como parar sua respiração, e assim por diante. "Eu me perguntava: 'O que meu camareada vai fazer agora?” Eu meio que esperava que ele se sentasse naquele caixão e risse da pegadinha que tinha feito conosco. "

No entanto, como as horas se passavam e Mestre permanecia imóvel, Bernard começou a perceber que seu guru tinha realmente deixado o corpo e ido embora para sempre. Esta era uma realidade difícil de aceitar.

Bernard disse que no final do seu turno, ele afastou-se do caixão e ficou olhando para fora de uma janela. Se sentia muito triste e viu algo espectacular. O sol estava apontando por cima no horizonte, por trás das montanhas de San Gabriel, criando um  jogo de luzes e sombras, produzindo um espetáculo deslumbrante. Foi então naquele momento, em que um novo dia estava amanhecendo, que Bernard foi abençoado com uma visão.

Ele disse que, olhando aquela cena maravilhosa, seu olho espiritual se abriu e ele passou a ver a realidade física e sua contraparte astral ao mesmo tempo. Em seguida, como o sol se levantou, Bernard viu outra luz se movendo.

Era, segundo ele, uma estrada astral de luz dourada insinuando-se através das montanhas, chegando cada vez mais perto de Monte Washington e naquela estrada de luz, Bernard viu figuras em movimento.

"Os habitantes do céu estavam vindo", Bernard disse à sua audiência. "Todos os santos e mestres estavam vindo para saudar Yogananda. Eles vinham cantando e dançando. E a música que eles entoavam. . . a alegria em seus rostos!... Foi uma celebração indescritivelmente linda. "

Bernard começou a chorar, e teve que parar de falar.

Depois de um tempo, ele começou novamente.

"Sinto muito", disse, "mas eu nunca ter partilhado esta experiência com ninguém antes. E agora, enquanto eu estou falando, estou vendo tudo isso acontecer novamente, como aconteceu naquele dia, tantos anos atrás. "

Com estas palavras, Bernard terminou sua participação do satsang com Swami Kriyananda e Norman Paulsen na comunidade da Irmandade do Sol, em Santa Barbara.

Mas, antes que o satsang terminasse, os três discípulos sentaram-se juntos em silêncio por um tempo em suas cadeiras no palco, deram-se as mãos, com Bernard e Norman em ambos os lados, e Kriyananda no meio.

O meu amigo que estava presente nesta ocasião disse que, enquanto estavam sentados ali, um tremor visível passou através dos braços e das mãos deles, como se seus membros estivessem vibrando. Kriyananda então disse: "Eu sinto que o Mestre está aqui conosco e está satisfeito. "

Richard Salva, autor de The Reincarnation of Abraham Lincoln e

Walking with William of Normandy: A Paramhansa Yogananda Pilgrimage Guide