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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Um vislumbre de realidade

Charleston era uma pequena cidade, naquela época, tinha cerca de 70.000 pessoas (é muito maior agora).
Eu encontrei dentro de seus limites estreitos uma amostra representativa da América.
Com as camadas sociais média e alta, e em menor grau com a mais baixa, eu já estava um pouco familiarizado.
Mas os estratos mais baixos que encontrei foram uma grande surpresa. Não estou me referindo aos pobres, cuja simples dignidade, muitas vezes desmente essa designação condescendente, de "classe baixa."
Algumas das pessoas que conheci eram realmente ricas, mas sua mesquinhez de coração, sua visão estreita e sua indiferença para com o bem-estar dos outros, condenara-os a uma vida de ganância criminosa.
Entre eles estavam os proprietários e operadores de inferninhos sórdidos, que eram fachadas para salas de jogos ainda mais ilícitos no andar de cima, e (eu suspeito) para outras atividades secretas também. Essas pessoas projetavam uma aura quase visível de desonestidade, de brutalidade fria e maldosa. Algumas delas eram ricas, mas suas riquezas haviam sido adquiridas no cocho dos porcos do desespero humano.

Igualmente sórdidas eram as vidas da maioria das pessoas que freqüentavam esses locais.
Os clientes também saiam puramente para ver o que eles poderiam obter por si.
As conversas refletiam dureza; suas risadas frágeis estalavam como gelo. Tais pessoas eram perenemente sem-teto, em suas consciência se não de fato.
Eram homens e mulheres que vagavam sem rumo de cidade em cidade, em busca de empregos transitórios e prazeres ainda mais transitórios; indivíduos cujos personagens iam rapidamente perdendo distinção no borrão de fumos alcoólicos; casais cujas vidas familiares iam se desintegrando sob golpes de brigas incessante como britadeiras; pessoas solitárias que esperavam cegamente encontrar neste deserto de indiferença humana apenas um vislumbre de amizade.

Em todos os lugares, vi desolação. Este era, refleti, o material de inúmeras peças modernas e romances. Por que, que a preocupação literária com a mesquinhez e desolação? A grande literatura é algo que deve ser meramente suportado? Quem pode ganhar qualquer coisa de valor expondo a cinzenta desesperança?

No entanto, estes também eram inegavelmente uma parte da vida.
Todavia seu efeito sobre mim, espiritualmente, mostrou-se em certa medida saudável.
A consciência que me deram do potencial humano de auto-degradação emprestou urgência à minha própria aspiração por um maior potencial em mim mesmo e nos outros.

Consequentemente, eu levei outra facada ao freqüentar a igreja.
Eu até me juntei a um coro da igreja.
Mas logo descobri que isso significava apenas trocar de um tipo de esterilidade por outro.
A atmosfera na igreja era mais saudável, sem dúvida, mas em parte, por essa mesma razão, eles eram mais complacentes, mais resistentes a qualquer sugestão de que alguma perfeição maior poderia ser atingível.
Estrato do livro The New Path de Swami Kriyananda

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