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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A yoga de Jesus

Existem vários métodos pelos quais se pode alcançar a perfeição em Deus.
Alcançada esta, cada aspecto do ser aspirante ilumina-se. 
Mas é natural que esses métodos ou caminhos da perfeição focalizem certas tendências do caráter humano, pois é evidente que algumas pessoas são intelectivas ou emotivas, outras ativas ou contemplativas, e que suas práticas espirituais reflitam seus caracteres. 
No Vedanta, reconhecem-se quatro caminhos principais para a obtenção da união com Deus.
Esses caminhos, ou yogas, são úteis para iluminar a via da perfeição, conforme foi ensinada por Jesus.
Na Karma-yoga, o caminho do trabalho abnegado, cada ação é oferecida a Deus como um sacramento. 
Dedicando os frutos de seu trabalho a Deus, o aspirante à espiritualidade alcança finalmente a pureza de coração e obtém a união com Deus.
A Jnana-yoga é o caminho da discriminação entre o eterno e o não-eterno.
Quando, pelo processo de eliminação, todos os fenômenos transitórios tiverem sido analisados e depois rejeitados, permanece apenas Brahman, e o aspirante da espiritualidade concretiza, através da meditação, sua união com o aspecto impessoal da Divindade.
A Bhakti-yoga é o caminho da devoção. Neste caminho, o adorador mistura seu ego com o ideal escolhido de Deus, cultivando intenso amor por Ele como a um ente pessoal. 

A maioria dos crentes de todas as grandes religiões do mundo segue a Bhakti- yoga.

A Raja-yoga é o caminho da meditação formal. 
Trata-se de um método de concentração da mente unicamente na realidade suprema, até que se alcance a absorção completa. 
Este caminho pode ser trilhado com exclusividade, e, não raro, por aqueles que seguem de preferência a vida contemplativa. 
Mas, em certo sentido, pode-se dizer que a Raja-yoga combina os outros três caminhos, uma vez que a meditação pode incluir a ação dedicada a Deus, a adoração, o discernimento e a concentração sobre o Ideal Escolhido. 
Embora uma vida espiritual equilibrada exija a combinação harmoniosa das quatro yogas, uma ou outra normalmente predomina, dependendo do temperamento do aspirante.

Entre os ensinamentos de Jesus, há muitos que se podem classificar de acordo com uma ou outra das Yogas. 

Por exemplo, quando Jesus disse: "Sempre que o fizerdes ao menor destes meus irmãos, estareis fazendo a mim", estava ensinando, no espírito da karma-yoga, a adoração de Deus através da prestação de serviço do homem.
A distinção entre o real e o irreal e a renúncia do irreal constituem a essência da Jnana-Yoga. Não raro Jesus pregava o discernimento e a renúncia. Por exemplo: "...acumulai tesouros nos céus, onde nem a traça nem a ferrugem podem corroê-los, e onde os ladrões não arrombam nem furtam." E, "Não podeis servir a Deus e às riquezas".
 As etapas preliminares da Raja-yoga, a via da meditação, compreendem a abstenção da ofensa aos outros, da falsidade, do roubo, da incontinência e da gula, e a observação da pureza e da devoção a Deus. 
A prática dessas disciplinas ajuda a tornar possível a concentração da mente num único ponto, a meditação e a absorção em Deus.
Jesus insistia na prática dessas mesmas disciplinas. 
E ele próprio gastava boa parte do tempo na meditação e na absorção, recolhendo-se freqüentemente em solidão para esse fim.
 De todos os caminhos para a união com Deus, Jesus deu ênfase especial ao caminho da devoção, insistindo no primeiro e maior dos mandamentos: "Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com toda a tua alma, e com toda a tua mente." 
Os ensinamentos de Jesus sobre a devoção — como os de outros avatares —vão desde afirmações em que ele considera a si mesmo como um dualista, um devoto de Deus, até afirmações em que atesta sua identidade com a Divindade. 
Na primeira cláusula do Pai-nosso, Jesus não se descreve diretamente como Deus, mas fala de si como o outro, ensinando-nos a adorar a Deus como nosso Pai que está nos céus. 
Em inúmeras passagens do Evangelho segundo São João, Jesus faz questão de dizer que o amor pelo Filho traz-nos o amor do Pai: "Se alguém me ama, guardará minhas palavras —e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele habitaremos." "Pois o próprio Pai vos ama porque vós me amastes e crestes que eu vim de Deus." 
Noutras passagens, Jesus declarou de forma inequívoca sua identidade com o Pai: "Eu e meu Pai somos um." "Quem viu a mim, viu ao Pai..." Esta identidade decorre de ensinamentos sobre a devoção, como estes: "Permanecei em mim e eu em vós. Como o ramo não pode produzir frutos
 por si mesmo, exceto se estiver unido à vinha, assim também não podeis vós, se não permanecerdes em mim." "Vinde a mim todos vós que labutais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei.”
 Muitos mestres espirituais insistiram na prática da devoção, por ser a via mais fácil da manifestação de Deus. 
Nesta via, a renúncia do aspirante é absolutamente natural: ele não precisa suprimir uma única de suas emoções — deve apenas empenhar- se em intensificá-las e em dirigi-las a Deus.
Existe no coração do homem o desejo de amar e de ser amado, de querer a afeição de um pai, de uma mãe, de um amigo, de uma namorada. 
A maioria de nós, porém, não reconhece que esse desejo é na verdade uma busca de Deus, disfarçada de outras coisas. Em última instância, sentimo-nos frustrados e sós em nossas relações humanas, porque o amor que conhecemos e exprimimos no piano humano não passa de reflexo imperfeito da "coisa verdadeira"

Dizem-nos os Upanishads:

"Não é por causa da esposa em si mesma que a esposa é querida, mas por causa do Eu. Não é por causa do marido em si mesmo que o marido é querido, mas por causa do Eu. Não é por causa dos filhos em si mesmos que os filhos são queridos, mas por causa do Eu.... Não é por causa de si
mesmo que algo é querido, mas por causa do Eu.”
O amor de Deus nos atrai, mas nós o interpretamos mal. 
Interpretá-lo corretamente, chegar à realização do desejo por amor — somente é possível quando voltamos nosso amor a Deus, que é o próprio amor.
Isso não significa que o amor humano seja errado e deva ser evitado.
Através dele, qualidades como a compaixão e a generosidade se desenvolvem, e se alcançam as experiências necessárias para o desabrochar espiritual. 
Não se deve necessariamente renunciar à afeição humana: ela se espiritualiza quando dada generosamente, sem possessividade e sem esperar reciprocidade.
 Quem aspira a união com Deus deve saber que todas as seitas religiosas que existem reverenciam uma única e mesma Realidade. 
Diz uma prece hindu:
''Chamam-te por muitos nomes. Dividem-te, por assim dizer, em diferentes nomes. 
No entanto, em cada um deles manifestas a tua onipotência. 
...Atinges aquele que te adora através de qualquer deles." 
Deus possui infinitos aspectos e expressões. Pode manifestar-se a seus devotos de forma pessoal ou impessoal, com ou sem forma.
Portanto, é necessário que o noviço jamais critique qualquer dos inúmeros caminhos e práticas religiosas que levam a Deus. 
Todavia, isso não quer dizer que pode seguir um ideal religioso hoje e outro amanhã. 
É preciso que se proteja a tenra planta da espiritualidade, até que ela se torne uma árvore robusta. 
A fim de que a mente possa absorver-se em Deus, o adepto da Bakti-yoga exercita-se na devoção a um ideal único.
Quando o amor por seu Ideal Escolhido tiver iluminado o seu coração, descobrirá o devoto que o seu ideal é venerado pelos outros sob nomes e formas diferentes: então ele amará a Deus em todos os seus aspectos

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