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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Existe Uma Esperança Para a Palestina e Israel

Me desculpem se copio e colo um texto em meu blog, parece redundante pois poderia simplesmente compartilhar o link original na minha página do Facebook mas tenho meus motivos.
Estou publicando aqui um relato sobre o primeiro dia de viagem do deputado  Jean Wyllys a Israel que me parece muito completo e interessante. Eu já publiquei aqui algumas notícias sobre a infame guerra entre Israel e Palestina que demonstram quanto sofro por esta situação que parece não ter fim. 
Publico aqui este relato na esperança de contribuir, por pouco que seja, para a tão sonhada paz para aqueles dois povos martoriados, sofridos e espremidos por dois grupos fundamentalistas de um lado (Likud) e do outro (Hamas). Esta é a minha maneira de demonstrar solidariedade aos dois povos vítimas desse conflito desumano, absurdo, demasiado longo, injusto e cruel
"Hoje foi um dia muito intenso, de muitas emoções e muita aprendizagem para mim e os meus assessores em Jerusalém (numa viagem que não custou um único centavo ao erário público, já que eu viajei a convite de uma universidade e meus dois assessores pagaram suas próprias passagens). De manhã cedo, percorremos diversos bairros da cidade junto a ativistas da ONG Ir Amim ("Cidade dos povos"), que defende a solução pacífica para o conflito entre judeus e palestinos. Visitamos bairros israelenses e palestinos e tivemos a oportunidade de ver com nossos próprios olhos o que a frieza dos mapas com as diversas fronteiras (as anteriores e as posteriores à guerra dos seis dias, e também as que impõe o muro construído por Israel para impedir os atentados terroristas, com efeitos desumanos para os palestinos) e dos livros e artigos que eu já tinha lido, com diferentes opiniões sobre o conflito, não poderiam mostrar.
Contra os preconceitos de muita gente, que acha que todos os judeus israelenses têm as mesmas posições políticas, os ativistas do Ir Amin me explicaram que se opõem à política do governo Netanyahu (para quem não pouparam qualificativos), são solidários com o povo palestino que vive nos territórios ocupados e acreditam que Israel deve reconhecer o estado palestino e negociar um acordo definitivo de paz que reestabeleça fronteiras próximas às de 1967, acabe com os muros e assentamentos, a militarização e a segregação social (a diferença entre os bairros judeus e palestinos é semelhante à que separa a zona sul e as periferias no Rio de Janeiro) e permita construir condições para a coexistência pacífica entre ambos os povos, com dois estados soberanos.
Eles acreditam, como eu, que a paz não pode ser construída sem o reconhecimento mútuo da existência e dos direitos do outro: tanto Israel quanto Palestina têm direito a existir, tanto judeus quanto palestinos têm direito à sua terra. Dois povos, dois estados, em paz. Claro que a partilha não é fácil, como não é fácil acabar com uma guerra continuada durante décadas, mas a paz deve ser um imperativo, um objetivo vital a ser alcançado. A ultra-direita israelense, hoje no governo, e os grupos terroristas e fundamentalistas islâmicos conspiram contra a paz e o medo ajuda ambos os extremos a manter muito poder, mas ainda há muita gente sensata tentando construir pontes de diálogo. Há esperanças!
Na Universidade Hebraica de Jerusalém, falei sobre as relações entre a homofobia e o antissemitismo, arraigados na nossa cultura e na nossa língua. Expliquei que eu, como gay, sempre senti empatia pela dor do povo judeu, que enfrenta, como nós, homossexuais, um ódio antiquíssimo e os preconceitos e incompreensões da direita e da esquerda. Com o triângulo rosa ou com a estrela de Davi, fomos juntos aos campos de concentração do nazismo, como juntos sofremos desde pequenos insultos, piadas e bullying. Falei da dificuldade de parte da esquerda (e falei isso como militante de esquerda) para enxergar e combater o antissemitismo e a homofobia em suas fileiras, assim como do oportunismo da ultra-direita, que tenta acusar o conjunto da esquerda (como se houvesse uma só e não, como eu vejo, esquerdas, no plural) por esses desvios. Fiz um percurso histórico do problema, tentando levar em consideração tanto os aspectos culturais quanto os políticos (a lógica amigo-inimigo, o maniqueísmo e a simplificação) que estão por trás de muitos discursos que atacam o conjunto do povo judeu. Falei da tragédia do terrorismo e do fundamentalismo e de sua expressão no Brasil. Diante de um auditório heterogêneo e muito participativo, tentei fazer a minha contribuição ao debate.
Algumas pessoas criticaram a minha viagem com argumentos sobre o "sionismo" que parecem tirados dos discursos antissemitas mais anacrônicos. Em primeiro lugar, para falar sobre o sionismo é preciso saber o que é, porque se não, você acaba usando a palavra "sionista" como sinônimo de israelense ou, pior, de judeu. Muita gente faz isso para disfarçar seu antissemitismo (falando, por exemplo, "não sou antissemita, mas antissionista"); outros fazem por ignorância. Nem todos os judeus são sionistas, nem todos os israelenses são judeus (tem, inclusive, árabes israelenses, muçulmanos israelenses, cristãos israelenses, etc.). O sionismo nasceu como uma idéia, depois como um movimento que reivindicava o direito do povo judeu (perseguido e difamado por séculos e vítima principal da tragédia do Holocausto nazista) a ter uma terra e uma nação, já que não se sentiam seguros num mundo e principalmente numa Europa que os expulsou, os perseguiu e os dizimou. Há sionistas de esquerda e de direita, laicos e religiosos, e há entre eles diferentes posições sobre a questão palestina. Há sionistas que são contra a ocupação de territórios palestinos, contra a política guerreira do atual governo israelense e a favor da solução dos dois estados.
Acusar todo sionista (ou todo israelense, ou todo judeu) pelas barbaridades praticadas pelo governo de Israel nos territórios palestinos é tão equivocado como acusar todo muçulmano (ou todo palestino, ou todo árabe) pelos crimes do terrorismo do Hamás ou do ISIS ou de outras facções criminosas. É possível repudiar o terrorismo do Hamás e os crimes de Netanyahu, ser a favor do reconhecimento do estado palestino e do direito a existir do estado de Israel e almejar a paz e a coexistência entre ambos os povos. Muitos árabes, israelenses, judeus, muçulmanos, palestinos e também sionistas defendem isso. Eu também.
Por último, muita gente me questionou sobre o "boicote a Israel" ou BDS. De acordo com esse boicote, para ser solidário com os palestinos, eu não deveria ter aceitado um convite de uma universidade israelense (a mesma pressão foi feita para que Caetano e Gil não fizessem um show em Israel). Eu sou contra boicotes contra qualquer povo. Acho equivocado confundir governo, estado e população. O boicote detona as pontes e favorece os extremistas de ambos os lados, seja o Likud ou o Hamás.
E vou repetir aqui o que falei no final da minha palestra na universidade: da mesma forma que sou contra o boicote a Israel, acho uma contradição imperdoável que o governo israelense apoie na ONU o bloqueio norte-americano a Cuba!:

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