Pesquisar este blog

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

A Filosofia Yoga

Em uma definição mais ampla, a palavra “yoga” se refere a qualquer pratica que tem como objetivo a libertação do praticante de um infinito ciclo de dores emocionais, doenças e mortes às quais o ser humano é destinado. O que nós sabemos hoje é que o yoga é uma invenção indiana de mais de 5.000 anos atrás. Existem, de fato, alguns desenhos encontrados em cavernas muito antigas que demonstram que os antigos indianos já praticavam yoga em uma era muito antiga.
Todavia, os pioneiros da yoga moderna, de mãos dadas com o movimento de independência da India no século 19, encontraram velhas escrituras datadas de 200 anos antes de Cristo e as combinaram com técnicas físicas do período entre os séculos 5 e 10 criando um vasto e abrangente sistema de desenvolvimento físico, espiritual e curador.
O primeiro texto do sistema clássico de Yoga é o Sutras de Patânjali, datado de dois séculos a.c. Praticamente nada se sabe sobre Patânjali mas seu curto trabalho foi adaptado e reinterpretado inúmeras vezes até o presente século.
Neste blog vamos repassar algumas idéias-chave por trás da yoga como a conhecemos hoje, algumas extraídas dos Sutras de Patanjali e outras de outras fontes.

Mapa das origens


A yoga e a Sânquia, duas das seis escolas indianas clássicas de filosofia, se desenvolveram lado a lado, uma influenciando a outra. A yoga tem uma abordagem mais prática à libertação, enquanto a Sânquia é uma filosofia intensamente intelectual dedicada a enumerar e classificar as diferentes partes da natureza.
Este mapa das origens é baseado no sistema Sânquia de classificação por ser mais detalhado do que a yoga de Patânjali.
De acordo seja com a yoga que com a Sânquia todos os fenômenos naturais do mundo emanam de algum material bruto, cru chamado Prakrti.
O espírito ou Purusha e Prakrti nunca se encontram. Mas de alguma maneira, Purusha e Prakrti têm efeitos um sobre o outro causando vibrações em Prakrti. Essas vibrações começam muito sutilmente como um desequilíbrio entre as três qualidades da natureza - os três Gunas Rajas, Sattva e Tamas - e progressivamente vão ficando mais grosseiras cada vez que a consciência evolui.
A mais alta forma de consciência é Buddi, a parte da mente que qualifica e categoriza. Dali a consciência  se transfere para o sentido do ser, Ahamkara e a parte da mente que administra e responde aos sentidos, Manas. Dali as vibrações se transferem para o Tanmatras, a energia sutil levada pelos sentidos e finalmente se transforma em cinco grosseiros elementos físicos, ou Bhuta do qual o mundo material é feito.
No lado grosseiro, material, Ahankara o sentido do ser pode interagir e manipular o mundo material com os sentidos e os órgãos de ação os Jnanendriyas e Karmendriyas.
Este processo acontece em ambas as direções do sutil para o grosseiro e vice versa, um processo de evolução e involução.
Quase como uma contínua serie de big bangs o Universo é criado, destruído e recriado. Em cada ciclo de evolução e involução as diferentes potencialidades mudam de proporção e nós notamos uma mudança no mundo material.
Nosso objetivo como yogues é parar as potencialidades flutuantes para contra-atacar a evolução com técnicas de involução. Com as potencialidades paradas Prakrti pode conhecer Purusha o puro ser.

Os Cinco Exemplos de Consciência


Nos Yoga Sutras, Patânjali ensina que existem cinco tipos de pensamentos, cinco vibrações ou modelos de consciências que precisam se reparados na primeira etapa do percursos do yogue:
1.     Pramana – Correto conhecimento – Patanjali define como o correto conhecimento aquele baseado na  percepção, dedução e testemunho de fontes confiáveis. Então, mesmo que esse conhecimento possa ser considerado verdadeiro, deve ser abandonado.
2.     Viparyaya -  mal entendimento – Se refere a um conhecimento incorreto ou suposição.
3.     Vikalpa  - Conceitualização - Qualquer forma de imaginação ou pensamento abstrato.
4.     Nidra – Sono – Aqui o sono se refere a um sono sem sonhos sugerindo a idéia de  esquecimento. Esquecimento não é objetivo do yogue que procura um estado mental muito mais refinado.
5.     Smrti – Memória – Especificamente o hábito de não abandonar o passado.

As Cinco Causas de Aflição



Patânjali nos apresenta cinco causas que são as raízes de todo o nosso sofrimento em seus Yoga Sutras. Todavia, elas não só são causas de sofrimento mas são traços de todos os seres humanos. Isso faz com que superá-las não seja fácil.
Avidya – Ignorância da verdadeira natureza do ser. Patânjali nos diz que esta é a base de todas as outras causas de aflição. Avidya se refere à nossa errada identificação com o nosso corpo finito e a nossa mente mercurial . Com isto à base de nossa compreensão do universo e de nós mesmos, todo o nosso conhecimento pode ser considerado viparyauyra, ou um mal entendido.
Asmita – Sentido do ser- Identificar erradamente nós mesmos como sendo a mente enquanto de faro a mente é meramente uma emanação do nosso verdadeiro Ser.
Raga – Apego – Nos relacionamos com o nosso ambiente em dois modos. Nos apegando às coisas é o primeiro.
Abhinivesha – A vontade de viver – Talvez mais construtivamente entendido como nosso senso de auto-preservação. É  o nosso mais básico, menos desenvolvido modo de existência o qual é puramente reativo às turbulências do mundo a nossa volta e incapaz de se alçar sobre ele.

Ashtanga Yoga


Astanga quer dizer oito alas se refere ao sistema de oito alas ou galhos descrito por Patânjali nos seus Yoga Sutras. Cada um desses galhos é uma prática diferente que combinada com outras leva o praticante á libertação.  Apesar das primeiras cinco práticas poderem ser desenvolvidas separadamente e praticadas seqüencialmente, somente a combinação com estas cinco que as três últimas podem ser alcançadas.
Yama – Observâncias universais
Niyama – observâncias pessoais
Asanas – posturas
Pranayama – regulação da forca vital
Pratyahara - Retiro dos sentidos
Dharana – Concentração
Dhyana – Absorção meditativa
Samadhi -  Libertação

Os yamas e Niyamas

Yama – Observâncias universais
Ahimsa – Não violência
Satya – Veracidade
Asteya -  Não roubar
Brahmacharya – Continência ou abstinência
Aparigraha – Não ganância

Niyama - Observâncias pessoais
Saucha – pureza, limpeza
Santosha – Contentamento
Tapas - Intensa disciplina
Svadhyaya – Auto estudo
Ishvarapranidhana – Devoção, seja a Deus que ao ideal de pura consciência

Kriya Yoga


É possível que o sistema de oito alas de Patânjali já existisse de alguma forma e ele teria simplesmente sintetizado isso em seus ensinamentos.
Ele estabelece um sistema mais simples de apenas três alas chamado Kriya Yoga, ou yoga da ação que tem o mérito adicional de amenizar os efeitos das cinco causas de aflição.
Tapas – Intensa disciplina na prática das asanas, dos pranayamas e da meditação
Svadhyaya – Estudo de si mesmo ou estudo dos textos yógicos e intensa observação da mente
Ishvarapranidhana – Não apenas devoção  e entrega mas completa reorientação por um ideal de pura consciência.

Obstáculos no Caminho:


Doenças, apatia, dúvida, descuido, preguiça, indulgencia sensual, engano, falta de progresso, instabilidade, dor, tristeza, depressão desespero, instabilidade do corpo, irregularidade no respiro.

A solução todavia existe: a prática contínua e o foco em um ponto fixo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor me de a sua opiniao