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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Satisfação Não É Excitação

Então o sábio (espiritualmente falando) reside (tranquilamente) no  si interior.

A vida moderna nos leva a confundir a satisfação com a excitação. A excitação porém gera tensão e tensão faz desvanenecer a felicidade.

A tremulante felicidade imaginária que associamos à excitação destrói os nossos nervos e nos enche de medos reprimidos, que emergem com a exaustão que segue os nossos altos e baixos emocionais.
”Beija-me como se fosse a última vez” recita uma canção popular mexicana. Depois a desesperada afirmação, também numa canção mexicana: “Só esta vez, depois nunca mais”.  (‘Besame mucho. Como si fuera esta noche la última vez’ e “Una vez, nada más”.)
Até esse ponto?
As pessoas procuram agarrar a felicidade e depois se perguntam porque ela escapa das suas garras no mesmo momento em que a agarram. 
A calma é o único fundamento possível para qualquer satisfação e qualquer felicidade verdadeiras e duradouras.
A calma é possível só quando o ego para de gritar para chamar a atenção.
A coisa mais importante no caminho espiritual é calar as solicitações do ego. 
Por isso na mia vida existem duas coisas que simplesmente me recuso a fazer: orar para mim mesmo e me defender.
Muitos anos atrás, tive uma ataque renal de repente. 
Era domingo de manhã e as onze tinha que celebrar o serviço dominical que fazemos toda semana para os hóspedes.
O ataque começou às nove. Todo o meu corpo tremia como uma folha ao vento. Os meus amigos tentaram me convencer a ir ao hospital que ficava a meia hora de carro por uma estrada cheia de curvas. Só o pensamento de me mexer me fazia estar tão mal que não podia suportar. 
Os meus amigos pensaram obviamente que eu pelo menos teria orado, mas mesmo não dizendo nada interiormente me recusei a orar.
Assim, dobrado em dois pela dor no meu leito fiquei ali ajoelhado tremendo violentamente por umas duas horas. Finalmente olhei o relógio: eram dez e quarenta e cinco, em quinze minutos a cerimônia teria que começar. Começariam sem mim?
A esta altura orei: “ Mãe Divina, não quero orar para mim mesmo me se queres que eu celebre esta cerimônia, faça alguma coisa.
Instantaneamente, no tempo que precisaria para passar rapidamente a mão da esquerda para a direita, a dor desapareceu e deixou o lugar a uma intensa alegria interior: uma alegria tão grande que eu arrisquei de não conseguir fazer o discurso pelo tanto que  estava pleno de alegria o meu coração.
Fiz o discurso e todos os presentes se sentiram elevados e cheios de alegria mesmo que eu não creia que fosse devido às minhas palavras.
Muitos anos de esperiência me convenceram que quando depositamos realmente a nossa confiança em Deus e não pedimos nada para nós mesmos Ele (ou Ela visto que Deus é ambos e nenhum dos dois) proverá às nossas necessidades.
Uma longa experiência me convenceu também que a Mãe Divina ( é este o modo em que penso a Deus) me protejerá.
Uma mente calma, normalmente calma a oposição. 
Se não o faz, pelo menos lhe tira as munições.
Muitos anos atrás, quando eu cheguei nos EUA, tinha treze anos e pesava apenas 48 kg. Um meu colega de escola, Tommy Maters, que tinha dois anos a mais do que eu e pesava mais de cem kilos, decidiu que não gostava do acento britânico que eu tinha naquele tempo. 
Ficava me ameaçando mas eu fiquei calmo. Na hora do almoço, um dia, se sentou do meu lado e ficou sempre criticando os meus modos. (“Não sabe que tem que comer a sopa pegando com a colher na parte mais longe do prato? Você é mesmo um cafona!”). 
Eu o ignorei com calma.
”Vai ver como te faço pagar” exclamou enfim ferozmente. Eu sabia que ele falava sério. Voltei ao meu quarto e visto que não tinha tranca, coloquei o aparador por trás da porta para bloqueá-la. 
Como se nada fosse, Tommy a espalancou. Invadiu meu quarto, me jogou em cima da cama e me encheu de murros. Eu não podia fazer anda a não ser proteger o meu rosto com as mãos da melhor maneira que podia.
“Vou te jogar da janela” ele continuava sussurrando para ter certeza que ninguém o ouviria do corredor. Meu quarto era no terceiro andar. Eu não disse nada. Por fim, exausto, tommy me deixou, machucado mas ainda vivo.
“Porque não gritou pedindo ajuda?” Me perguntou um meu colega.
“Porque não tive medo” respondi.
“Qualquer cosia aconteça” dizia a mim mesmo enquanto apanhava “a aceito”.
É interessante notar que desde então Tommy me deixou em paz.
A resistencia calma, passiva é mais forte do que as emoções violentas.
A calma descrita por Patanjali nos seus aforismos, não se consegue apenas pelos esforços espirituais: Manter a calma também nos momentos de adversidade contribui para apressar a sua obtenção.
Todo fruto espiritual nasce do comportamento certo. 
Se quiser conhecer a paz, procure ser pacífico desde já especialmente em circunstâncias adversas. 
Se quiser conhecer a alegria, seja alegre desde já, especialmente quando as situações parecerem deprimentes! E se quiser conhecer o Divino amor, ame a todos, especialmente os que se declaram seus inimigos. (Não, não posso dizer que jamais amei Tommy mas pelo menos nunca tive sentimentos negativos sobre ele).
Um aspecto interessante no percurso espiritual –mesmo se desconcertante para um novato – é que independentemente de quais sejam suas culpas ou faltas, Deus fará seguramente em modo que você as enfrente, sempre que deseje sinceramente te livrar delas.
Este aforisma de Patanjali, logo, não deveria ser considerado somente como a promessa de uma recompensa mas também como um conselho para o comportamento certo a adotar em toda circunstância.
Texto de Swamy Kriyananda

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