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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A Verdade na Política


CADÊ A HONESTIDADE INTELECTUAL, SENADOR AÉCIO NEVES?
Em uma tentativa de justificar a negativa do PSDB a acompanhar o pedido de investigação contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o presidente da sigla e candidato presidencial derrotado nas últimas eleições, Aécio Neves, deu mais uma prova de sua hipocrisia, comparando a atitude dos tucanos com relação a Cunha com a negativa do PSOL a apoiar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. 
Como se fosse a mesma coisa, ele disse que, assim como o PSDB não assinou a representação do PSOL contra Cunha, o PSOL não assinou os pedidos de impedimento da presidenta.
Alguém deveria explicar ao ex-candidato que Cunha está formalmente denunciado pela Procuradoria Geral da República, com provas robustas, pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão ilegal de divisas. 
Também foi acusado por delatores da operação lava-jato de ter recebido uma propina de 5 milhões de dólares e a justiça suíça informou à justiça brasileira que tem contas secretas nesse país com movimentações de dezenas de milhões, irrigadas por transferências de lobistas ligados a empresas com contratos suspeitos da Petrobrás. 
Alguém deveria avisar ao senhor Aécio que Cunha mentiu em depoimento dado numa CPI, afirmando que não possuía contas no exterior. 
Alguém deveria lembrar a Neves que não é a primeira vez que Cunha se envolve em escândalos de corrupção: é assim desde o primeiro cargo que ocupou no Estado, durante o governo Collor, como colaborador de PC Farias.
E alguém deveria explicar ao senhor Aécio que a presidente Dilma, independentemente da minha opinião sobre seu governo, que acho muito ruim, ou sobre seu programa econômico, que é exatamente o do PSDB (Aécio deveria estar feliz!), não foi acusada de crime algum. 
Não existe acusação e muito menos provas de que a presidente tenha participado de qualquer ato de corrupção ou tenha se enriquecido de forma ilícita. 
E não há, até agora, na opinião do PSOL, motivos constitucionais para o impeachment.
Tem gente que não entende o que significa o impedimento de um/a presidente/a da República. 
Não é algo que se justifique apenas porque eu não gosto do governo. 
É um remédio gravíssimo, de última instância, que se aplica em situações de extrema excepcionalidade, quando se dão as situações previstas na constituição e na lei. 
Não é o caso até o momento.
Se eu não gosto do governo (e eu não gosto!), faço oposição republicana no parlamento e nas ruas: questiono, voto contra os ajustes fiscais (que os tucanos votam a favor), repudio as alianças com o fundamentalismo e o conservadorismo (que os tucanos também praticam), tento mudar as regras que permitem o financiamento empresarial de campanha e dão lugar a esquemas como o Petrolão (regras que os tucanos usam e apoiaram na contrarreforma política), denuncio as políticas repressivas contra trabalhadores, indígenas, pobres (as mesmas dos tucanos). 
E milito para construir uma alternativa política capaz de derrotar tudo isso que me faz ser oposição à esquerda do governo Dilma (tudo isso em que esse governo parece tucano). 
Contra os ajustes, os retrocessos, a política anti-trabalhista e o conservadorismo, o PSDB não é oposição ao governo Dilma!

O que os tucanos querem é, apenas, derrubar a Dilma para aplicarem eles mesmos essa política que o PSOL critica. 
Mas uma oposição republicana e democrática não tenta derrubar um governo sem motivos constitucionais, só para ocupar seu lugar. 
E muito menos faz isso aliado a um deputado acusado de corrupção e lavagem de dinheiro e com contas milionárias secretas na Suíça. Essa é a diferença entre o tipo de oposição que faz o PSDB e o tipo de oposição que faz o PSOL.
Este é um texto de Jean Wyllys que resolvi publicar no meu blog pois concordo com tudo o que foi dito e penso que pode ajudar muitos  a refletirem melhor sobre a atual situação política no Brasil. Como sempre crio que a única solução para a crise institucional em nosso país é uma reforma constitucional consistente que autorize o povo a demitir políticos que se mostrarem incapazes, desonestos ou que não cumprirem as promessas de campanha, que acabe com o fórum privilegiado e que crie fazendas-cadeias onde os presos possam trabalhar para pagar as custas de suas estadias na cadeia.

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