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sábado, 31 de outubro de 2015

Como Defender Um Principio

Swami Kriyananda nos convidou para o chá uma tarde para discutir uma mudança que ele tinha em mente para Ananda. Quando ele perguntou o que achávamos, eu respondi com alguma emoção, porque eu senti que um princípio estava em jogo. Swamiji me olhou com firmeza e disse: "Você pode estar certo, mas quando você fala tão emocionalmente, é difícil aceitar que o você está dizendo."

Um pouco mais tarde outra pessoa se juntou a nós, e Swami pediu-lhe para considerar a mesma pergunta. Embora ela tenha chegado à mesma conclusão que eu tinha expressado, suas palavras eram reflexivas e calmas. A ela, Swami disse: "Eu aceito a sua perspectiva como o caminho certo a tomar."

Princípios verdadeiros são poderosos porque estão enraizados na verdade impessoal. Segundo os ensinamentos de Paramhansa Yogananda, princípios verdadeiros são poderosos porque estão enraizados na verdade impessoal.

 Defendendo-os com uma reação emocional somente embassa  sua essência e enfraquece o seu impacto.

Recentemente eu encontrei estas palavras no livro de Kriyanandaji Viver Sabiamente, Viver Bem: "Se você se sente impelido a defender um princípio, não o faça sob a influência da raiva. Defenda suas crenças com alegria! Dharmic -o que quer dizer, justas-causas devem ser defendidas com retidão. Um alegre não-apego é a única maneira de montar sua defesa ".

Uma das minhas histórias favoritas sobre como defender princípios é sobre a vida de um dos pais cristãos, St. Antonio. Ele vivia sozinho nos desertos do Egito, orando e meditando em cavernas isoladas por muitos anos. Ao mesmo tempo, uma controvérsia religiosa começou a crescer na igreja cristã emergente, ameaçando destruí-la.

O cisma era centrado em torno de dois pontos de vista opostos sobre Jesus Cristo. Um lado declarava que ele era um encarnação divina, um ser iluminado. O outro declarava que ele era um professor sábio, mas não de uma exaltada estatura espiritual. Debates carregados de emoção enchiam a grande igreja em Alexandria, causando crescente confusão nas mentes dos seguidores de Cristo.

Finalmente, em desespero, alguns jovens monges procuraram Antonio no deserto e pediu-lhe para resolver o debate. Relutantemente, ele voltou para entre os homens, e entrou discretamente pelo fundo da igreja, onde o debate estava no auge. Tão grande era a sua presença espiritual que um por um todos se viraram para olhar para ele e as vozes iradas ficaram em silêncio.

Embora ele não estivesse acostumado a falar, ele proferiu quatro palavras que mudaram o curso do cristianismo. Antonio disse simplesmente: "Eu vi ele," e fugiu silenciosamente. O debate acabou, e Cristo foi reconhecido como uma encarnação do próprio Deus.

Se você acredita em algo, seja um ser divino ou um princípio, torne-se uma única coisa com ela em seu coração. Quando as palavras forem necessárias para defendê-la, você terá a força interior para defender a verdade.

Nayaswami Devi

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O Mundo é Uma Ilusão, Afirmam os Cientistas

Imagem em movimento
Segundo a tradição Hindu, o mundo além de transitório é ilusório. Já para os budistas o mundo é um ‘sonho de Buda’, também sendo uma ilusão.  
Paramhansa Yogananda dizia que o mundo é como um filme de Deus, onde Deus é o diretor e nós somos seus personagens, ou um sonho de Deus.
Ou seja, a única realidade é Deus, tudo aquilo que cremos ser real não passa de ilusão. Nós somos uma alma imortal, uma partícula de Deus e usamos o corpo como instrumento para viver nesse mundo de energia condensada que chamamos de matéria. Na verdade, tudo é energia, como já dizia Shakespeare, somos feitos da mesma matéria dos sonhos, somos pó de estrelas. 

E para a os cientistas?
 

Mais uma vez, cientistas estão dando suas opiniões e apresentando teorias que parecem se encaixar cada vez mais com pensamentos que muitas culturas do planeta carregam por milênios.

Nick Bostrom, filósofo da Universidade de Oxford, foi o primeiro a propor a teoria de que vivemos em um tipo de simulação, como que feita por um computador, a chamada ‘Hipótese da Simulação’, sugerindo que a realidade que conhecemos e tudo aqui presente faça parte dessa simulação, e não estamos conscientes disso.
Em seu livro “Super Inteligência” ao ser perguntado sobre o que aconteceria se fosse criada uma máquina tão inteligente quanto ao ser humano, Nick responde: “É esperado que isso aconteça, pois como espécie, sempre fomos os mais inteligentes, porém nunca imaginamos a possibilidade de viver com alguém ou alguma coisa mais inteligente do que nós, possivelmente com metas que não podemos entender e agindo de maneiras que possam causar a nossa extinção”.

Richard J. Terrile, diretor do Centro de Computação Evolutiva da NASA, que participou do projeto da sonda Voyager, que descobriu várias luas de Saturno, Urano e Netuno, também sugere que estejamos vivendo em um tipo de ‘Matrix’.
“Quando você vai ao cinema e assiste aos filmes em 3D por exemplo, acaba tentando se desvencilhar de objetos virtuais por achar que eles sejam reais. 
É isso que fazemos diariamente. 
E é um tipo de realidade completamente diferente que queremos oferecer no futuro”, diz Richard.
Na Física Quântica, as partículas não têm um estado definido a não ser que estejam sendo observadas, explica Richard.
Imaginemos uma televisão nova que você tenha comprado. Você sai de casa e pensa que ela esteja na sua sala, da maneira como a deixou. Porém não pode ter certeza, muitas coisas podem ter acontecido com ela, ou de acordo com a nova teoria, talvez ela nem esteja lá, já que ninguém a vê.
O Princípio da Incerteza de Heisenberg, o qual declara ser impossível determinar com precisão e simultaneamente a velocidade e a posição de um elétron, reafirma um pouco mais como isso funciona.
Seria mais ou menos assim a visão que temos do mundo: algo irreal que parece ser tão real. Maya, o show em que as coisas parecem ser, mas não são.
Maya, como é chamado o mundo material na cultura hindu, é a ‘Grande Ilusão’. 
No Bhagavad Gita encontramos várias alusões ao mundo de ilusões. 
Hinduísmo, Budismo, Taoismo, na filosofia Yoga entre outras tradições esotéricas e holísticas do oriente, declaram que o mundo como o conhecemos através dos 5 sentidos é irreal.
Não parece que a ‘Ciência Oficial’ do mundo moderno esteja indo ao encontro dos ensinamentos dos antigos sábios? 
Provavelmente aqueles sábios sabiam muito mais do que podemos imaginar. Sábios e santos de várias religiões já comprovaram essas verdades inúmeras vezes, através da meditação, de experiências místicas e de revelações.
Além do mundo material existem outros mundos, formas de vida, leis cósmicas a serem cumpridas, como quase todas as culturas antigas acreditavam. 
Há quem sugira que existam vários universos paralelos, outros falam de mundos paralelos, com os quais os antigos se comunicavam por “portas” que poderiam ser as pirâmides, o Triângulo das Bermudas e outros sitos na América Latina. 
E o que a Ciência Moderna nos está dizendo agora?
Talvez seja a mesma mensagem porém de uma maneira diferente.

Querendo ou não, nessa Era de Aquário que se inicia onde tudo está a mil por hora, parece que a grande diferença que separa a Ciência e Espiritualidade está se tornando cada vez mais uma linha tênue.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Satisfação Não É Excitação

Então o sábio (espiritualmente falando) reside (tranquilamente) no  si interior.

A vida moderna nos leva a confundir a satisfação com a excitação. A excitação porém gera tensão e tensão faz desvanenecer a felicidade.

A tremulante felicidade imaginária que associamos à excitação destrói os nossos nervos e nos enche de medos reprimidos, que emergem com a exaustão que segue os nossos altos e baixos emocionais.
”Beija-me como se fosse a última vez” recita uma canção popular mexicana. Depois a desesperada afirmação, também numa canção mexicana: “Só esta vez, depois nunca mais”.  (‘Besame mucho. Como si fuera esta noche la última vez’ e “Una vez, nada más”.)
Até esse ponto?
As pessoas procuram agarrar a felicidade e depois se perguntam porque ela escapa das suas garras no mesmo momento em que a agarram. 
A calma é o único fundamento possível para qualquer satisfação e qualquer felicidade verdadeiras e duradouras.
A calma é possível só quando o ego para de gritar para chamar a atenção.
A coisa mais importante no caminho espiritual é calar as solicitações do ego. 
Por isso na mia vida existem duas coisas que simplesmente me recuso a fazer: orar para mim mesmo e me defender.
Muitos anos atrás, tive uma ataque renal de repente. 
Era domingo de manhã e as onze tinha que celebrar o serviço dominical que fazemos toda semana para os hóspedes.
O ataque começou às nove. Todo o meu corpo tremia como uma folha ao vento. Os meus amigos tentaram me convencer a ir ao hospital que ficava a meia hora de carro por uma estrada cheia de curvas. Só o pensamento de me mexer me fazia estar tão mal que não podia suportar. 
Os meus amigos pensaram obviamente que eu pelo menos teria orado, mas mesmo não dizendo nada interiormente me recusei a orar.
Assim, dobrado em dois pela dor no meu leito fiquei ali ajoelhado tremendo violentamente por umas duas horas. Finalmente olhei o relógio: eram dez e quarenta e cinco, em quinze minutos a cerimônia teria que começar. Começariam sem mim?
A esta altura orei: “ Mãe Divina, não quero orar para mim mesmo me se queres que eu celebre esta cerimônia, faça alguma coisa.
Instantaneamente, no tempo que precisaria para passar rapidamente a mão da esquerda para a direita, a dor desapareceu e deixou o lugar a uma intensa alegria interior: uma alegria tão grande que eu arrisquei de não conseguir fazer o discurso pelo tanto que  estava pleno de alegria o meu coração.
Fiz o discurso e todos os presentes se sentiram elevados e cheios de alegria mesmo que eu não creia que fosse devido às minhas palavras.
Muitos anos de esperiência me convenceram que quando depositamos realmente a nossa confiança em Deus e não pedimos nada para nós mesmos Ele (ou Ela visto que Deus é ambos e nenhum dos dois) proverá às nossas necessidades.
Uma longa experiência me convenceu também que a Mãe Divina ( é este o modo em que penso a Deus) me protejerá.
Uma mente calma, normalmente calma a oposição. 
Se não o faz, pelo menos lhe tira as munições.
Muitos anos atrás, quando eu cheguei nos EUA, tinha treze anos e pesava apenas 48 kg. Um meu colega de escola, Tommy Maters, que tinha dois anos a mais do que eu e pesava mais de cem kilos, decidiu que não gostava do acento britânico que eu tinha naquele tempo. 
Ficava me ameaçando mas eu fiquei calmo. Na hora do almoço, um dia, se sentou do meu lado e ficou sempre criticando os meus modos. (“Não sabe que tem que comer a sopa pegando com a colher na parte mais longe do prato? Você é mesmo um cafona!”). 
Eu o ignorei com calma.
”Vai ver como te faço pagar” exclamou enfim ferozmente. Eu sabia que ele falava sério. Voltei ao meu quarto e visto que não tinha tranca, coloquei o aparador por trás da porta para bloqueá-la. 
Como se nada fosse, Tommy a espalancou. Invadiu meu quarto, me jogou em cima da cama e me encheu de murros. Eu não podia fazer anda a não ser proteger o meu rosto com as mãos da melhor maneira que podia.
“Vou te jogar da janela” ele continuava sussurrando para ter certeza que ninguém o ouviria do corredor. Meu quarto era no terceiro andar. Eu não disse nada. Por fim, exausto, tommy me deixou, machucado mas ainda vivo.
“Porque não gritou pedindo ajuda?” Me perguntou um meu colega.
“Porque não tive medo” respondi.
“Qualquer cosia aconteça” dizia a mim mesmo enquanto apanhava “a aceito”.
É interessante notar que desde então Tommy me deixou em paz.
A resistencia calma, passiva é mais forte do que as emoções violentas.
A calma descrita por Patanjali nos seus aforismos, não se consegue apenas pelos esforços espirituais: Manter a calma também nos momentos de adversidade contribui para apressar a sua obtenção.
Todo fruto espiritual nasce do comportamento certo. 
Se quiser conhecer a paz, procure ser pacífico desde já especialmente em circunstâncias adversas. 
Se quiser conhecer a alegria, seja alegre desde já, especialmente quando as situações parecerem deprimentes! E se quiser conhecer o Divino amor, ame a todos, especialmente os que se declaram seus inimigos. (Não, não posso dizer que jamais amei Tommy mas pelo menos nunca tive sentimentos negativos sobre ele).
Um aspecto interessante no percurso espiritual –mesmo se desconcertante para um novato – é que independentemente de quais sejam suas culpas ou faltas, Deus fará seguramente em modo que você as enfrente, sempre que deseje sinceramente te livrar delas.
Este aforisma de Patanjali, logo, não deveria ser considerado somente como a promessa de uma recompensa mas também como um conselho para o comportamento certo a adotar em toda circunstância.
Texto de Swamy Kriyananda

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A Presidente da República Está Muito Bem, Obrigado

Dilma custa ao Brasil o dobro de Elizabeth II ao Reino Unido


Gastos públicos brasileiros são crescentes e estão sem controle


A  presidente vai reduzir seu salário, do vice-presidente e dos 31 ministros a partir de novembro.
Dilma Rousseff ganha R$ 26,7 mil mensais e deve perder 10%, pouco mais de três salários mínimos.
O corte salarial no topo do poder, porém, é meramente simbólico num governo onde os gastos são crescentes.
O caso da Presidência da República é exemplar. Na última década, se tornou um agrupamento burocrático de dezenas de organismos, fundos e secretarias extraordinárias. 

Gastou R$ 9,3 bilhões no ano passado —210% mais que em 2005, já descontada a inflação do período.


É um volume de dinheiro quase três vezes maior, por exemplo, que o gasto anual do Estado do Rio na manutenção da rede pública de saúde, com 60 hospitais (1.050 leitos de UTI).

Ano passado, as despesas do núcleo administrativo diretamente vinculado a Dilma somaram R$ 747,6 milhões, recorde no primeiro mandato.

Pouco mais da metade disso (R$ 390,3 milhões) foi usado para pagar assessoria e serviços prestados à presidente nos palácios onde trabalha e reside e durante as viagens, segundo dados da Secretaria de Administração da Presidência disponíveis no Portal da Transparência, do governo federal.
Dilma já custa para os brasileiros praticamente o dobro do que a rainha Elizabeth II e a família real para os súditos britânicos. A monarquia consumiu, em 2014, o equivalente a R$ 196,3 milhões, segundo relatório anual da Casa Real, tendo-se como referência a cotação da moeda (libra) no fim de agosto.

Numa comparação republicana, o custeio do gabinete de Dilma equivale a 60% do escritório de Barack Obama. 

O presidente dos Estados Unidos gastou R$ 648 milhões com serviços na Casa Branca e na residência oficial, segundo relatório sobre a execução orçamentária no último ano.
Em Washington, como em Brasília, parte das despesas presidenciais acaba dissimulada no orçamento. 
A diferença fica por conta da credibilidade sobre as contas dos dois governos e a eficácia do controle público.
Nos EUA, Congresso e organizações sociais mantêm ativa fiscalização. No Brasil, sobra desconfiança, e o controle é rarefeito. “Aqui, além da pouca transparência, o excesso de truques e maquiagens fez crescer em progressão geométrica o descrédito nas contas governamentais”, diz Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas.
Em Brasília, a rotina de Dilma fica circunscrita a um raio de 15 quilômetros: trabalha no Palácio do Planalto, mora no Alvorada e passa fins de semana na Granja do Torto, uma casa de campo.
Logo cedo, a presidente passeia nos jardins do Alvorada, à margem do Lago Paranoá, entre araucárias e sibipurunas plantadas por Yoichi Aikawa, jardineiro do imperador japonês Hirohito, que doou o projeto paisagístico há mais de meio século. Caminha sobre um tapete vegetal três vezes maior que o Maracanã, com sutil variação de tons de verde derivada das gramas Esmeralda (Zoysia japonica), Batatais (Paspalum notatum) e São Carlos (Axonupus compressus). 

A irrigação e a jardinagem consomem R$ 4 milhões anuais.

Os prédios da Presidência abrigam multidões de servidores públicos, assessores contratados e a mão de obra alugada de secretárias, telefonistas, vigilantes, faxineiros e garçons, entre outros. 

Os serviços de manutenção somam R$ 220 milhões por ano.

Vigilância e limpeza custam R$ 5,7 milhões anuais. 

Nas portarias, há um batalhão de vigias. 
Representam uma fração (R$ 1,5 milhão) de uma das maiores despesas do setor público: R$ 3 bilhões ao ano em policiamento privado, com elevada concentração em quatro grupos (Confederal, TBI, Albatroz e Santa Helena Vigilância). 
Ano passado, esse tipo de gasto superou os investimentos realizados por um conjunto de 33 órgãos, incluídos os ministérios do Esporte, das Comunicações e da Cultura.
Há despesas mais prosaicas, como R$ 9,7 mil para quatro camareiras que lavam as roupas do vice-presidente Michel Temer, sob compromisso de “sigilo de informações”. 
E R$ 7,8 mil para tratamento semanal da piscina do Palácio do Jaburu, onde Temer mora.
Recorrentes mudanças administrativas, produto da instabilidade nas relações da presidente com aliados, levaram à contratação permanente (por R$ 1milhão por ano) de empresa especializada na montagem e desmontagem de paredes divisórias no Planalto.
Cada despesa nova leva uma justificativa pomposa. Exemplo: os R$ 39 mil pagos para encerar o piso de mármore do Planalto têm “o objetivo de manter a nobreza dos ambientes por onde circulam autoridades”, diz o contrato.
O esmero burocrático se reflete na mesa do poder, com espaço para opções individuais, como a escolha do chefe de cozinha. 
Nem sempre dá certo. 
No governo Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, um sargento da Marinha foi enviado a Paris com a missão de aprender a cozinhar. Voltou, agradeceu e partiu para a aventura de um negócio próprio.
Nas 28 copas, a prestação de serviços custa R$ 7,4 milhões. Por elas circulam 88 garçons, sempre em camisa branca, calça, paletó de dois botões e cinco bolsos, gravata-borboleta e sapatos pretos. Há 58 copeiras em calças sem pregas, blusa de mangas três-quartos, em microcrepon (do tipo anarruga), sob avental xadrez preto e branco, com viés nas laterais. 
Os uniformes são exigência contratual.
A intensidade do movimento entre copa e cozinha varia conforme a predileção do governante por festas e homenagens. 
O governo Dilma foi de comemorações no primeiro mandato: gastou-se R$ 302,7 milhões, 40% mais que Lula em oito anos. Em 2014, foram R$ 77,3 milhões, média de R$ 213 mil por cada dia do calendário da reeleição.
Luxo e fartura ambientam as cozinhas dos palácios. 
Paga-se R$ 9 mil por banho restaurador dos utensílios em prata 925 (esterlina, com 92,5% de pureza). 
Os gastos com alimentação no Planalto somam R$ 16 milhões anuais.
Desse total, uma fatia de R$ 1,3 milhão fica reservada para prover a despensa, os cardápios sob encomenda e a adega da presidente, com capacidade para 2.000 garrafas. 
Quase tudo é mantido em segredo. Aos curiosos, a presidência acena com um decreto (nº 7.724) assinado pela própria Dilma, em 2012, onde se lê: “As informações que puderem colocar em risco a segurança do presidente da República, vice-presidente e seus cônjuges e filhos ficarão sob sigilo até o término do mandato em exercício ou do último mandato, em caso de reeleição.”
Como nem os donos de segredos de Estado conseguem guardá-los, sabe-se que um dos mais caros cardápios é mantido à margem da contabilidade rotineira de copa e cozinha palaciana: custa R$ 2 milhões anuais o serviço de comida a bordo do avião presidencial.
Já foi mais. Em 2006, Lula chegou a gastar R$ 3,7 milhões — mais que a conta dos cinco mil telefones da presidência naquele ano. Ele instituiu um padrão em voos, preservado por Dilma, com variedade de carnes (coelho assado, costeleta de cordeiro, rã, pato, picanha e peixe). O café da manhã a bordo custa R$ 58,60; a bandeja de frutas, R$ 102; cada canapé de caviar sai a R$ 7; camarão ou salmão defumado, a R$ 4,60.


Em viagens ao exterior, Dilma prefere hotéis às residências oficiais nas embaixadas brasileiras. Em junho, passou três dias numa suíte do St. Regis, em Nova York, decorada por joalheiros da Tiffany. Depois, passou um dia em São Francisco, Califórnia, no hotel Fairmont, cuja suíte principal tem um mapa estelar em folhas de ouro contra um céu de safira. O custo médio das diárias nos EUA foi de R$ 36 mil.
Para servi-la e à comitiva foram contratados 19 limusines, 15 motoristas, dois ônibus e um caminhão para transportar bagagens. Custou R$ 360 mil (o pagamento atrasou dois meses).

Em Atenas, na Grécia, em 2011, a presidente gastou R$ 244 mil numa “escala técnica" de 24 horas — mais de R$ 10 mil por hora.
E você paga tudo no débito automático.

domingo, 18 de outubro de 2015

Os Quatro Dons Das Pessoas Altamente Sensíveis (PAS)


Por que eu vejo as coisas de forma diferente dos demais? 
Por que sofro mais que as outras pessoas? 
Por que encontro alívio na minha própria solidão? 
Por que sinto e vejo coisas que os outros não percebem? 
Quando se está em minoria, o primeiro sentimento é sentir-se em desvantagem e com medo.
Fazer parte dos 20% da população que se reconhece como altamente sensível não é uma desvantagem e nem o rotula como “diferente”. 
É bem possível que, ao longo da sua vida e principalmente durante a sua infância, você tenha tido consciência desta distância emocional, e muitas vezes tenha lidado com a sensação de viver em uma bolha de alienação e solidão.
A alta sensibilidade é um dom, uma ferramenta que lhe permite aprofundar e ter empatia com todas as coisas e pessoas. 
Poucas pessoas têm essa capacidade de aprendizagem de vida. 
Foi Elaine N. Aron que, no início dos anos noventa ao investigar as personalidades introvertidas, explicou em detalhes as características que refletiam uma realidade social: as pessoas altamente sensíveis são pensativas, empáticas e emocionalmente reativas.
Se este é o seu caso, se você se identificou com as características que a Dra. Aron publicou em seu livro “A pessoa altamente sensível”, é importante saber que essa sensibilidade não é uma razão para se sentir estranho ou diferente. Pelo contrário, você deve se sentir feliz por ter recebido esses quatro dons.

Os dons das pessoas altamente sensíveis

1- O dom do conhecimento interior

Desde a infância, a criança altamente sensível perceberá aspectos do seu dia a dia que lhe trarão uma mistura se sentimentos: angústia, contradição e muita curiosidade. Seus olhos captarão aspectos que os adultos nem percebem.
Aquele olhar de frustração de seus professores, a expressão preocupada da sua mãe… Ser capaz de perceber as coisas que outras crianças não vêem lhes ensinará desde cedo que, às vezes, a vida é difícil e contraditória. É uma criança precoce que percebe o mundo sem a maturidade suficiente para entender as emoções.
O conhecimento das emoções é uma arma poderosa. Nos faz entender melhor as pessoas, mas também nos torna mais vulneráveis à dor e ao comportamento dos demais.
A sensibilidade é uma luz resplandecente, mas sempre ouviremos comentários do tipo: “você leva tudo muito a sério”, ou então “você é muito sensível.”
Você é o que é. Um presente exige grande responsabilidade, o seu conhecimento sobre as emoções exige cuidados e proteção.

2- O dom de desfrutar da solidão

As PAS encontram prazer em seus momentos de solidão. 
São pessoas criativas que gostam de música, leitura, hobbies…. Isso não significa que não gostem da companhia dos outros, mas sim que também se sentem felizes sozinhas.
Elas não têm medo da solidão. 
É nesses momentos que conseguem se conectar com eles mesmos, com os seus pensamentos, livres de apegos e olhares curiosos.

3- O dom de viver com o coração

As pessoas altamente sensíveis vivem através do coração. Vivem intensamente o amor, a amizade e sentem muito prazer com os pequenos gestos do cotidiano.
Elas são freqüentemente associadas ao sofrimento pela sua tendência a desenvolver depressão, tristeza e vulnerabilidade frente ao comportamento das pessoas. 
No entanto, vivem o amor com muita intensidade.
Não estamos falando somente dos relacionamentos afetivos, mas da amizade, dos carinhos do dia a dia, da beleza de uma pintura, de uma paisagem ou uma música especial. Tudo é vivenciado com muita intensidade pela pessoa altamente sensível.

4- O dom do crescimento interior

A alta sensibilidade não pode ser curada. 
A pessoa já nasce com essa característica e esse dom se manifesta desde criança. Suas perguntas, sua intuição, o seu desconforto com luzes ou cheiros fortes e a sua vulnerabilidade emocional já demonstram a sua sensibilidade exagerada.
Não é fácil viver com esse dom. No entanto, se você reconhecer que é altamente sensível, deve aprender a administrar essa sensibilidade. Não deixe que as emoções negativas o desestabilizem e o façam sofrer.
Perceba que os outros têm um ritmo diferente do seu. 
Muitas vezes eles não vivem as emoções tão intensamente quanto você. Isso não significa que o amem menos; é somente uma forma diferente de vivenciar as emoções. 
Tente entendê-los e respeitá-los.
Conheça a si mesmo e as suas habilidades; encontre o seu equilíbrio e promova o seu crescimento pessoal. Você é único e vive a partir do coração. 
Fique em paz, viva em segurança e seja muito feliz. 
Aproveite suas habilidades de ficar sozinho e para meditar, procure a verdade além das aparências e cresça espiritualmente. 
Dedique-se a uma vida espiritual completa, plena, recite mantras, cante, cuide da natureza e daqueles que necessitam de ajuda, faça algo que te faça sentir único, especial. 
Leia Autobiografia de Um Yogue , pratique yoga em silêncio e sinta o incrível bem-estar que se acompanha.

De um texto original 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Os Estados Entregam o Jogo



As corporações vão se dar bem.

As loas ao TPP escondem o avanço do poder das grandes empresas nos sistemas jurídico-políticos
A imprensa brasileira saudou a aprovação preliminar do Tratado Trans-Pacífico (TPP, em inglês) ao som das trombetas que corneteavam as maravilhas de mais uma rodada de abertura comercial.
Celebrado entre 12 países capitaneados pelos Estados Unidos, o TPP inclui o Japão e outros asiáticos de menor porte, além de sul-americanos. São aceitas novas adesões. O acordo promete ganhos de comércio para todos os envolvidos.
O esboço de acordo recém-firmado entre os governos e os lobistas privados vai passar pelo crivo dos Parlamentos para a aprovação definitiva.
Os economistas Ian Fletcher, Joseph Stiglitz e Simon Johnson disparam torpedos contra a assinatura do TPP. Na visão de Fletcher, o TPP é mais um acordo que promete o paraíso e vai entregar o inferno para os trabalhadores dos países envolvidos.

Fletcher atacou o Nafta desde os primórdios. 

Os resultados mostraram que ele tinha razão, ao argumentar que o tratado comercial do Atlântico Norte só beneficiou as empresas transnacionais, além dos intrometidos chineses que enfiaram suas exportações nas plataformas produtivas das maquiladoras. Na farra do Nafta, diz Fletcher, os lesados foram os trabalhadores americanos.

Negociadas sob sigilo, as cláusulas mais sensíveis deram origem a versões não oficiais um tanto assustadoras. 

Cochichadas nos bastidores do poder, elas apontam para um avanço significativo no poder das grandes empresas diante dos sistemas jurídico-políticos dos Estados Nacionais.
Entre outras violações da soberania, o tratado estabelece uma dualidade nos sistemas legais ao atribuir às empresas novos direitos para escapar das leis e tribunais americanos, japoneses, peruanos, seja lá o que for, e processar os governos por eventuais prejuízos que possam sofrer em suas atividades. Nada de intromissões e intervenções consideradas indevidas ou abusivas. Caso isso ocorra, os governos estão sujeitos a multas pecuniárias e outras punições civis. Quem está preocupado com restrições à sua liberdade impostas pela soberania do Estado, pode se preparar para as violações de seus direitos praticadas pelos senhores dos mercados. Não chame a polícia, trate de correr do ladrão.
Isso significa que a precarização e a terceirização das relações trabalhistas vantajosas, sim, para as empresas, não podem ser obstadas ou regulamentadas pelos governos nacionais. As claúsulas de Propriedade Intelectual beneficiam ainda mais as grandes empresas farmacêuticas em detrimento dos cidadãos. São práticas predatórias. Elas suprimem a concorrência em vez de defender a liberdade de comércio.

A coisa vai piorar. 

Ao longo das últimas décadas, o acirramento da concorrência – esta é a alma da globalização – impôs às empresas de diversas origens a formação de joint ventures e a busca de cooperação e de alianças estratégicas. Esse movimento foi determinado fundamentalmente pelos custos de inovação e por exigências de escala relacionadas com a nova onda de progresso técnico – telecomunicações, informática, microeletrônica e automação industrial, química fina – de rápida difusão desde os anos 80.
As alianças estratégicas e a distribuição espacial da produção, promovidas pela nova onda de internacionalização produtiva, ensejaram, entre outras coisas, uma formidável centralização do capital e a dispersão dos investimentos e do comércio entre os países avançados e emergentes. 
Na primeira etapa da atual globalização produtiva e financeira saíram-se bem os que souberam atrelar, de forma ativa e inteligente, os projetos nacionais de desenvolvimento à nova configuração da economia mundial proposta pelas multinacionais.

Agora o jogo é outro. 

A grande empresa apropria-se das funções legislativas e jurisdicionais do Estado. 
O mundo contemporâneo assiste à reconfiguração nas relações de poder entre o Estado e as empresas. Eli Heckscher, no clássico Mercantilism, resume magistralmente a conformação dessas relações no mercantilismo à inglesa. 
Heckscher afirma que a ingerência direta do Estado nas companhias era quase imperceptível. “Muito mais importante era outra tendência: a de transferir às companhias as prerrogativas de poder próprias do Estado.”
O Estado está delegando seus poderes para as empresas “monopolizadas” sob o comando de um grupo restrito de acionistas de grande porte.  Elas até agora dependeram do apoio e da influência política de seus Estados Nacionais para penetrar em terceiros mercados (acordos de garantia de investimentos, patentes etc.). Isso já era. São os Estados que dependem da anuência dos senhores da grana para manter suas economias funcionando.
Texto da Revista Carta Capital

A Verdade na Política


CADÊ A HONESTIDADE INTELECTUAL, SENADOR AÉCIO NEVES?
Em uma tentativa de justificar a negativa do PSDB a acompanhar o pedido de investigação contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o presidente da sigla e candidato presidencial derrotado nas últimas eleições, Aécio Neves, deu mais uma prova de sua hipocrisia, comparando a atitude dos tucanos com relação a Cunha com a negativa do PSOL a apoiar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. 
Como se fosse a mesma coisa, ele disse que, assim como o PSDB não assinou a representação do PSOL contra Cunha, o PSOL não assinou os pedidos de impedimento da presidenta.
Alguém deveria explicar ao ex-candidato que Cunha está formalmente denunciado pela Procuradoria Geral da República, com provas robustas, pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão ilegal de divisas. 
Também foi acusado por delatores da operação lava-jato de ter recebido uma propina de 5 milhões de dólares e a justiça suíça informou à justiça brasileira que tem contas secretas nesse país com movimentações de dezenas de milhões, irrigadas por transferências de lobistas ligados a empresas com contratos suspeitos da Petrobrás. 
Alguém deveria avisar ao senhor Aécio que Cunha mentiu em depoimento dado numa CPI, afirmando que não possuía contas no exterior. 
Alguém deveria lembrar a Neves que não é a primeira vez que Cunha se envolve em escândalos de corrupção: é assim desde o primeiro cargo que ocupou no Estado, durante o governo Collor, como colaborador de PC Farias.
E alguém deveria explicar ao senhor Aécio que a presidente Dilma, independentemente da minha opinião sobre seu governo, que acho muito ruim, ou sobre seu programa econômico, que é exatamente o do PSDB (Aécio deveria estar feliz!), não foi acusada de crime algum. 
Não existe acusação e muito menos provas de que a presidente tenha participado de qualquer ato de corrupção ou tenha se enriquecido de forma ilícita. 
E não há, até agora, na opinião do PSOL, motivos constitucionais para o impeachment.
Tem gente que não entende o que significa o impedimento de um/a presidente/a da República. 
Não é algo que se justifique apenas porque eu não gosto do governo. 
É um remédio gravíssimo, de última instância, que se aplica em situações de extrema excepcionalidade, quando se dão as situações previstas na constituição e na lei. 
Não é o caso até o momento.
Se eu não gosto do governo (e eu não gosto!), faço oposição republicana no parlamento e nas ruas: questiono, voto contra os ajustes fiscais (que os tucanos votam a favor), repudio as alianças com o fundamentalismo e o conservadorismo (que os tucanos também praticam), tento mudar as regras que permitem o financiamento empresarial de campanha e dão lugar a esquemas como o Petrolão (regras que os tucanos usam e apoiaram na contrarreforma política), denuncio as políticas repressivas contra trabalhadores, indígenas, pobres (as mesmas dos tucanos). 
E milito para construir uma alternativa política capaz de derrotar tudo isso que me faz ser oposição à esquerda do governo Dilma (tudo isso em que esse governo parece tucano). 
Contra os ajustes, os retrocessos, a política anti-trabalhista e o conservadorismo, o PSDB não é oposição ao governo Dilma!

O que os tucanos querem é, apenas, derrubar a Dilma para aplicarem eles mesmos essa política que o PSOL critica. 
Mas uma oposição republicana e democrática não tenta derrubar um governo sem motivos constitucionais, só para ocupar seu lugar. 
E muito menos faz isso aliado a um deputado acusado de corrupção e lavagem de dinheiro e com contas milionárias secretas na Suíça. Essa é a diferença entre o tipo de oposição que faz o PSDB e o tipo de oposição que faz o PSOL.
Este é um texto de Jean Wyllys que resolvi publicar no meu blog pois concordo com tudo o que foi dito e penso que pode ajudar muitos  a refletirem melhor sobre a atual situação política no Brasil. Como sempre crio que a única solução para a crise institucional em nosso país é uma reforma constitucional consistente que autorize o povo a demitir políticos que se mostrarem incapazes, desonestos ou que não cumprirem as promessas de campanha, que acabe com o fórum privilegiado e que crie fazendas-cadeias onde os presos possam trabalhar para pagar as custas de suas estadias na cadeia.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Processo à Democracia


É Possível que os cidadãos estejam cansados de serem representados?

Original em italiano CULTURA | 6 de outubro de 2015 | 2 | ROBERTO ESPOSITO 

Jean-Marie Guéhenno
Que a democracia não estivesse tão bem já se sabia há muito tempo. Cidadãos e cientistas políticos sabem disso. Nos últimos vinte anos, os atestados de óbito, ou pelo menos análises propensas ao pessimismo, tem se seguido um ritmo forte.
Se já nos anos noventa Jean-Marie Guéhenno tinha falado de "o fim da democracia" (Garzanti), alguns anos depois Colin Crouch cunhava o famoso neologismo "pós-democracia" (Yale University Press), enquanto Ralf Dahrendorf nos colocava diretamente "após a democracia" (Yale University Press).
São várias as causas deste mal-estar, algumas são bem conhecidas por seus próprios teóricos iniciais. Sabemos que Rousseau acreditava que o sistema democrático era tão perfeito ao ponto de servir apenas para uma nação de anjos, assim como Tocqueville alertava com antecedência sobre a possibilidade de um despotismo democrático. E a riscos semelhantes pensava Montesquieu quando se preocupava em proteger a divisão de poderes de uma concentração excessiva.
Os fatos em grande parte negaram tais temores.
Hoje a democracia - ou pelo menos algo que lhe semelha - é de longe a forma mais comum da política do mundo. No entanto, este desempenho extraordinário destacou uma série de limitações estruturais que o tempo tornou ainda mais estridente. O mais paradoxal é o destacado por Bernard Manin em Princípios do Governo Representativo (o Mill): em sua própria formulação a democracia representativa inclui um elemento aristocrata inevitável.
Não sendo vinculados por um mandato imperativo e, portanto, não sujeitos à revogação imediata por quem os elegeu, os representantes do povo não têm que responder a ninguém por suas escolhas durante toda a legislatura. Além disso, o caráter oligárquico das democracias contemporâneas é desmascarado pela baixa percentual de cidadãos diretamente envolvidos na gestão dos assuntos públicos.
O presidente dos EUA por exemplo, é eleito, por não mais do que 15 por cento dos eleitores. Uma boa metade deles nem sequer estão inscritos nas listas eleitorais e a outra metade dos membros se abstêm. O quarto restante dos eleitores reais é dividido quase sempre por uma pequena margem, o que reduz ainda mais os votos que convergem para o presidente eleito. Afinal todas as dinastias dos Kennedy, dos Bush, dos Clintons não têm o perfil perturbador de uma democracia hereditária?
Mas a esses limites, por assim dizer estruturais, do dispositivo democrático, se adicionaram outros que têm aumentado o sentimento de desilusão certificado na análise de Roberto Foa e Yascha Mounk.
Há várias razões que tornam cada vez mais frágil a confiança na democracia. O primeiro é o contraste, cada vez mais evidente, entre o contexto estatal das ordenanças democráticas e a dimensão global do mercado e das finanças que afetam as políticas públicas.
O ponto fraco está no paradigma da soberania ao qual a prática da democracia tem sido até agora ligada, posta em crise por uma governança global que é liderada por grupos de interesse e lobbies de interesse não-eletivo.

A esse déficit de legitimidade está associado, fortalecendo-o, o papel da mídia na formação da opinião pública.

Sabe-se que pesquisas de proporções modestas afetam as decisões do governo por mais de um mês de debates parlamentares, alargam o fosso entre a forma e o conteúdo da democracia.
Todo um segmento da população está excluído do processo de tomada de decisão, concentradas em poucas mãos, capazes de guiá-lo na direção de interesses especiais. Então quando o governante é também proprietário, direta ou indiretamente, dos meios de comunicação, o círculo se fecha com efeitos nocivos contra o princípio da igualdade, sobre o qual deve basear-se o sistema democrático.
A ser atingida não é tanto a extensão da representação, como a sua real eficácia. Em alguns aspectos, de fato, quanto mais os canais representativos se multiplicam - cada um de nós é representado em vários níveis, local, nacional, internacional - menos afetam as vidas de pessoas reais, dependentes de questões de biopolítica, tais como a subsistência material, saúde, relacionamento com os fluxos migratórios, etc.
Tudo isso leva a uma dupla divaricação. Por um lado, os cidadãos em relação às instituições - o conjunto de reservas e atitudes negativas que Pierre Rosanvallon chamou de "contrademocracia" (Castelvecchi). Por outro as instituições em relação a uma nação cada vez mais incline a formas de verdadeira e autêntica anti-política.
Gauchet
O deslize do protesto legítimo contra determinadas opções do governo para formas de populismo constitui hoje o maior risco para as democracias contemporâneas, arrochado no vício entre apatia e aversão. O desvio populista tem o efeito contraproducente de cavar um abismo mais profundo entre o poder e a sociedade, fazendo com que o primeiro seja ainda mais independente do segundo.
Neste curto circuito perverso o populismo acaba por expropriar todo o povo das decisões que lhes dizem respeito, pondo, como dizia M. Gauchet, "a democracia contra si mesma" (Gallimard).

Como responder a essa deriva auto-destrutiva?

Existem antídotos. Eles vão desde a redução das práticas corporativas da classe política -  listas eleitorais bloqueadas, governos técnicos, fundos ilícitos – a um aumento de formas de democracia direta, como campanhas de informação, referendos não só abrogativos.
Mas tudo isso dará resultados insignificantes, se você não ir ao cerne do problema, que não é tanto a forma quanto a essência da democracia.
O que está asfixiado não é o sistema democrático mas a política que deve torná-lo viável.  É esta que parece dissolver-se em discussões técnicas sobre os instrumentos que acabam por perder de vista o objetivo.

A política, reduzida a administração, compromete-se a resolver apenas os problemas emergentes, sem nos dizer o que pretende fazer e porquê. Quais são os seus planos e como alcançá-los. E neste silêncio ensurdecedor as alternativas políticas parecem todas pertencentes ao mesmo modelo e portanto, irrelevantes. 
O que falta é a capacidade de elevar o tom do discurso público, fazendo com que a democracia seja o espaço necessário para as regras comuns, e da política o lugar onde se confrontam e afrontam valores e interesses diferentes e conflitantes.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A Conexão Interrompida

"Doutor, por favor me ajude. Eu acho que estou realmente doente ", disse o paciente preocupado. "Meu corpo dói todo: quando eu toco meu braço, dói; quando eu toco meu peito, dói; quando eu toco minha cabeça, dói. "

Depois de fazer uma bateria de testes, o médico informou ao seu paciente: "Eu tenho uma boa e uma má notícia. A boa notícia é que não há absolutamente nada de errado com seu corpo. A má notícia é que você tem um dedo quebrado, então onde quer que você toque, dói! "

Um amigo indiano recentemente nos contou esta história e embora nós tenhamos riso da piada, há também uma mensagem mais profunda nela. Quando nossa consciência é preenchida com a consciência da nossa união com Deus, é como um corpo feliz e saudável. O dedo quebrado é como o ego, que interrompe a nossa conexão com uma realidade maior e nos faz imaginar o sofrimento em todos os lugares, quando na realidade tudo o que dói, tudo o que é "quebrado", é o pequeno eu mesmo.

Pense nisso desta maneira. O ego é simplesmente a alma identificada com o corpo e a personalidade. Como antolhos nos olhos de um cavalo, o ego limita nosso campo de visão à parte estreita do mundo em torno dele. Tire os antolhos de ego e nossa consciência se ampliará. Então, à medida que começamos a ver as coisas a partir do ponto de vista de Deus, o mundo se torna cheio de beleza e alegria.


"Meu Polestar" por Nayaswami Jyotish
Em uma tempestade, a superfície do oceano não conhece a paz. Da mesma forma, enquanto a tempestade do ego se enfurece na mente, uma pessoa experimenta a tensão e a ansiedade. Como as ondas do ego diminuem, o devoto relaxa e aceita mais uma vez sua ligação com a paz e a felicidade do Espírito infinito.

Como podemos diminuir a pressão do ego e restabelecer nossa conexão divina? Swami Kriyananda disse, "Encontrar Deus é fácil. É uma questão de duas coisas: Mais longas e profundas meditações e ver Deus como o agente em todas as coisas.

A conexão interrompida é causada pelo nosso ego afirmando a sua realidade independente de Deus. Isso nos mantém sempre presos ao mundo do sofrimento e da incerteza. A meditação e a entrega do pequeno eu abre a porta da nossa alma para a verdadeira felicidade e liberdade.

Paramhansa Yoganandaji disse: "Com Deus, a vida é uma festa de alegria, mas sem ele é um ninho de problemas, dores e decepções."

Vamos nos esforçar para curar nossa conexão interrompida com Deus, de modo que tudo o que vemos, tocamos, ou ouvimos nos encha com a sua alegria.

A seus pés,

Nayaswami Devi