Pesquisar este blog

terça-feira, 19 de março de 2013

A Ressurreição e a importância das provas Divinas


Excertos do livro "A promessa da imortalidade" por Swami Kriyananda



[...] A ressurreição de Jesus é a lição final e o ensinamento maior da sua missão na terra. Com o tempo, as pessoas teriam aceitado o seu sofrimento e a sua morte como um resumo de sua vida, se não tivesse sido por aquele desfeixo alegre.

Atribuindo maior importância à Crucificação, a tradição  tratou a Ressurreição apenas como mais um milagre, não como uma lição e um exemplo a imitar. Como uma lição, a ressurreição mostra a alegre promessa escondida por trás de todas as provações da vida: a vitória que aguarda aqueles que aceitam as dificuldades sem desesperar-se e com fé.

[...] "Viver para Deus" disse uma vez Paramhansa Yogananda é  "martírio". Envolve o sacrifício não só do corpo físico, mas também do ego que o anima.

[...] A ênfase exagerada do sofrimento de Cristo tem distorcido a verdade divina: a religião, quando é vivida realmente transforma a dor em alegria. Os verdadeiros devotos, especialmente se meditam, experimentam a alegria - pelo menos em um nível subliminar - mesmo durante as provas mais difíceis.
Às vezes, eles devem se agarrar a essa alegria com grande determinação, como se ela fosse um salva-vidas em um mar tempestoso! No entanto, quando as ondas se calmarem, eles descobrem que a alegria era lá com eles, mesmo no auge da tempestade.

A vida humana é onerada por sofrimento constante: a vida religiosa não tem um monopólio. Todavia os sofrimentos de uma pessoa não mostram necessariamente a sua espiritualidade. O que importa é o espírito com o qual lidamos com as provas.

[...] O que Deus pede aos que o amam não é o sofrimento como tal, mas uma atitude vitoriosa, mesmo em aparente derrota. Se persistirmos nessa atitude, nós achamos que o sacrifício em si torna-se uma vitória. Se mantivermos a alegria no exterior na adversidade, o amor se aprofunda em nossos corações. O sofrimento deriva da identificaçao com o ego, e a alegria é o fruto de uma vida vivida para Deus

[...] Jesus trouxe à humanidade uma mensagem muito diferente, cujo foco não era a dor, mas a bem-aventurança eterna, que transcende todo o sofrimento humano.

[...] O sofrimento pode nos esmagar, se a nossa consciência estiver centrada no ego.

[...] Se Jesus não tivesse assumido voluntariamente a consciência do corpo, o seu sofrimento na cruz teria sido pura ficção e sua humanidade uma simulação. Em vez disso, ele era tão humano quanto nós. A diferença entre ele e nós é que, mesmo sofrendo, a sua consciência brilhou, começando com ele, para incluir outros na sua compaixão. Em contrapartida, quase todos os seres humanos, especialmente em tempos de sofrimento, busca a simpatia dos outros para si.

[...] Jesus era um canal da consciência divina, não tentava atrair a atenção das pessoas para si mesmo como um homem mas apenas para Deus. Como uma janela transparente, ajudava as pessoas a apreciar o panorama fora da pequena sala da sua consciência egóica. Ao mesmo tempo, tal como uma janela, ele moldava aquela imensidade com uma personalidade humana, para tornà-la compreensível ao intelecto humano. Mesmo o seu sofrimento na cruz foi apenas um quadro através do qual a humanidade pudesse ter um vislumbre da compaixão de Deus

[...] Para voltar ao tema da ressurreição, não só houveram outros grandes mestres além de Jesus, incluindo muitos que viveram antes dele, mas houveram também outros mestres que tiveram seus corpos ressuscitados após a morte. O caso de Jesus foi certamente notável, mas não único. Um conto maravilhoso de ressurreição física é contada em detalhes na Autobiografia de um Iogue por Paramahansa Yogananda, no capítulo intitulado "A ressurreição de Sri Yukteswar." Sabe-se também que os santos cristãos apareceram aos seus discípulos, depois de sua morte, no corpo físico.

[...] Um verdadeiro devoto oferece o seu testemunho a Deus com coragem, até mesmo com amor. Vê cada um deles como uma oportunidade de ganho espiritual e cada prova superada traz maior liberdade interior, alegria e sabedoria. Finalmente  ele aprende a ver por trás de cada dificuldade o amor de Deus. Naquele ponto as suas provas não parecem mais castigo nem cármico nem divino.

A ressurreição, no sentido mais elevado do termo, acontece a nível da alma. Embora o sofrimento é uma "cruz" que todos os seres humanos devem levar, eles são facilmente aceitos por aqueles que aspiram a alcançar a liberdade em Deus. A alegre submissão de fato, é a maneira de pagar seus débitos cármicos sem criar novos. O ressentimento, ao contrario acrescenta novo Karma ao velho.

A lei cósmica é implacável. Sua finalidade é ensinar-nos a reconhecer a unidade subjacente de toda a vida.

[...] A s provas divinas podem parecer um presságio de tudo o que nós temos sempre temido. No final, no entanto, nos trazem exatamente o oposto! Pode parecer que Deus queira testar nossa resistência, mas na realidade o que está sendo testado é o nosso amor.

[...] O verdadeiro devoto é igualmente feliz em si mesmo nos momentos obscuros da vida, como naqueles radiantes. Sua fé, embora às vezes vacile na tempestade, permanece firmemente enraizada. Ele abraça cada prova enviada a ele como um dom do Pai Celestial ou a Mãe Divina, e as considera valiosas para a alma - mesmo não sendo para o ego! - Até mesmo os problemas mais difíceis, ele considera como presentes que vêm em um pacote puro. As tempestades da vida, de fato, mesmo que aparentemente pareçam catástrofes, nos traz na verdade, a chuva que nos alimenta e transforma a nossa consciência em um prado fértil, coberto por flores silvestres do conforto divino.

Deus é o nosso Amado Infinito. É o nosso único amigo verdadeiro. Ele quer que a nossa felicidade eterna. As provas que nos dá hão apenas uma finalidade: ajudar-nos a desenvolver a sabedoria. Quanto mais cedo aceitarmos com compreensão, mais cedo entenderemos que seu apoio sempre esteve presente, não pelos nossos erros, mas apesar dos nossos erros. Na verdade, nós somos Seus. Ainda que fossemos obrigados a caminhar sobre o fogo, ficaríamos ilesos; queimando as impurezas que por eras nos causaram dor, as chamas seriam um bálsamo para a nossa alma.

[...] A ressurreição de Cristo foi um ato exterior, mas também o símbolo de uma grande verdade interior: a pessoa cujo amor se mantém firme através de cada prova ressuscita no final, na bem-aventurança eterna.

[...] Referindo-se à necessidade interna da ressurreição, Yogananda freqüentemente citava sempre  este premente apelo da Bhagavad Gita: "O’ Devoto fuja do Meu oceano de sofrimento e de miséria"

Para compensar este aviso Krishna faz uma promessa e uma consolação eterna: "Arjuna, tenha certeza disso: “Meu devoto nunca se perde"