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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Rejeitar o apego ao mundo sem renunciar

Afirmação de samadhi, a rejeição do mundo



Durante a Kali Yuga, aqueles que queriam evoluir espiritualmente faziam um voto de pobreza, castidade e obediência para fugir do hábito de buscar a felicidade em coisas mundanas. 
Nesta nova era de energia, devemos evitar esta abordagem baseada na rejeição: a renúncia não se concentra mais sobre o que podemos ou não fazer, mas sobre as atitudes que nos permitem transcender o ego. Então, podemos banquetear com a alegria do nosso ser.

Em outras palavras, a renúncia não significa rejeição do mundo, mas a afirmação de samadhi. Nossa concentração está focada na aquisição da alegria da liberdade da alma em Deus.

Na nova ordem de renunciantes fundada por  Swami Kriyananda, todos os votos começam essencialmente com a mesma declaração: "O propósito da vida é buscar a Deus." Outra maneira de dizer a mesma coisa é que o propósito da vida é banquetear na alegria; a renúncia é o que nos leva a esse banquete. O apego ao mundo nos leva a crer que podemos encontrar a alegria fora de nós, mas o que temos são calorias pobres que nos deixam constantemente com fome.


Um novo quadro de referência

Para afirmar realmente o samadhi devemos retirar a mente dos estímulos dos sentidos o tempo suficiente para adquirir um novo esquema de referência. É um pouco "como ficar longe das luzes da cidade". Se você mora no campo pode olhar para o céu à noite e ver uma miríade de estrelas, enquanto a iluminação artificial em cidades como Los Angeles ou São Paulo  as obscura. Se conhecéssimos apenas a vista nas grandes cidades poderiamos facilmente acreditar que existem poucas estrelas no céu. Da mesma forma, se não tivéssemos outro quadro de referência, como poderíamos pensar de outra forma?

Se vivemos uma vida em que os sentidos são constantemente estimulados, quando fechamos os nossos olhos não vemos nada. Se, no ao invés disso, retiramos a força vital do envolvimento externo e entrarmos profundamente em meditação, podemos ver não só um pouco de luz, mas galáxias e galáxias de luz. Paramhansa Yogananda comparou a luz do samadhi à de milhares de sóis, com a diferença, contudo, que a luz interior não queima os olhos.

Através da disciplina da meditação e da devoção, separamos gradualmente a força vital e os sentidos dos apegos externos, para encontrar a alegria em nosso verdadeiro eu. O objetivo da renúncia é encontrar um banquete de alegria. A renúncia tem pouco a ver com o que não podemos fazer, a não ser na medida em que temos de passar longe das luzes artificiais se quisermos ver as estrelas. Devemos nos retirar dos estímulos dos sentidos, meditar e ir em profundidade, se quisermos experimentar a felicidade verdadeira.


O Esforço é necessário


Alguns anos atrás, ouvi uma história muito interessante, uma familia possuia algumas lagartas que produziam
crisálidas  em um terrário. As crianças assistiam atentamente, esperando a transformação das  crisálidas em borboletas. A primeira borboleta fez um pequeno buraco no topo da crisálida e depois lutou muito para poder sair dessa abertura, depois de estar lá por um pouco, exausta, lentamente recuperou suas forças, suas asas se desenrolaram e se tornou uma linda borboleta.

Quando a segunda borboleta começou a fazer o buraco na crisálida, a família pensou: "Nós não queremos que a pequena criatura deva se esforçar tanto." Ent
ão  cortaram o topo da crisálida, mas assim que a pequena borboleta foi capaz de sair, ela morreu. Assim, a família percebeu que era o esforço para sair através daquele pequeno buraco que apertava o líquido para fora das asas da borboleta e permitia-lhe sobreviver.

Há sempre um esforço a ser feito quando esprememos fora de n
ós as tendências antigas que acreditamos que irão trazer a satisfação que procuramos. Todo mundo quer a perfeita alegria, mas a renuncia não é algo atraente para a maioria das pessoas: nos primeiros anos deste Dwapara Yuga, a maioria de nós ainda é atraída por um tipo de realização exterior. Consciente ou inconscientemente, nós persistimos em pensar: "A consciência mundana não é má, não é tão ruim." Infelizmente, temos que perseverar nessa crença muitas vezes (vidas) antes de perceber que o mundo nunca vai nos dar a alegria que buscamos.

 Orientações para alcançar o banquete da alegria


Os princípios da verdadeira renúncia são poucos.  

O primeiro é considerar a totalidade da vida como uma busca de Deus ou auto-realização. Quanto mais nos focamos neste objetivo, mais estamos atraídos pela auto-realização, em vez das luzes brilhantes dos sentidos. O Samadhi nos permitirá, finalmente, obter a felicidade da qual estamos afamados. 
O segundo é considerar o não-apego como um meio de nos libertar dos velhos hábitos e conseguir a liberdade de pensamento necessária para buscar a Deus neste contexto, o não-apego se aplica em última análise ao ego, que deve transcender a identificação com o pequeno eu e o desejo de separação.

O terceiro princípio é o serviço altruísta. Mesmo a meditação pode ser vista como uma forma de servir os outros. Uma dos orações mais elevadas de Paramhansa Yogananda diz: "Senhor, doa-te a mim para que eu possa doar-te a todos."
Quando compartilhamos com os outros a luz que temos recebido, para ajudá-los a crescer espiritualmente, começamos a ver a unidade subjacente à diversidade de formas externas. Então provamos sinceramente gentileza e respeito por todos.

Quando vivemos observando esses três princípios, alimentamos mais e mais a alegria sempre nova do nosso ser.